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“A burocracia tira o incentivo para empreender”

Lucas Emanuel Andrade
23 de junho de 2018
Aos 26 anos, Eduardo Gallo deixou um emprego estável em uma das maiores empresas da tecnologia do mundo para, junto com outros três sócios, abrir o próprio negócio. Fundada em 1995, a Service IT hoje conta com escritórios em cinco capitais brasileiras, atua ainda na Argentina e no Chile e espera faturar R$ 120 milhões neste ano. Em entrevista a MONEY REPORT, Gallo fala sobre os desafios de empreender no Brasil. Confira:

 

O que as pessoas deveriam levar em conta antes de abrir o próprio negócio?

Muitas vezes as pessoas montam uma empresa pela necessidade de trabalhar. Tem muita gente que se aventura em fazer coisas que não sabe. Já começa por aí a chance de não conseguir sobreviver. Na minha visão, o que vale é o olho no olho. Ligar para o cliente, falar com ele ou estar frente a frente. Assim que os projetos são fechados. Se você não tem essa relação, se você não gasta sola de sapato para bater na porta do cliente, sentar com ele e entender o que ele quer, a chance de sucesso é menor. Quer fazer um negócio crescer, esteja na linha de frente com o objetivo final, que é o cliente. O empreendedor tem que estar ligado diretamente com ele o máximo possível.

Como se explica o fato de muitas empresas fecharem as portas ainda no primeiro ano de atividade?

A falta de planejamento é um dos principais fatores. O empreendedor começa o negócio sem saber o que pretende fazer, sem ter conhecimento do quanto tem no caixa da empresa e até onde é possível investir. Antes de tudo, é preciso fazer uma plano de negócio razoável. Outro ponto é que é impossível empreender no Brasil. Como exemplo, temos filiais na Argentina e no Chile e abrimos um escritório nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos abrimos a empresa em um dia. No dia seguinte eu tinha conta no banco com o nome da empresa. No Chile, o processo demorou três dias. No terceiro dia eu já podia emitir uma nota fiscal. Aqui no Brasil estamos há seis meses tentando fazer uma mudança na Junta Comercial e não conseguimos.

De que forma a burocracia atrapalha o ambiente de negócios no país?

A burocracia e a forma como você tem que contratar e demitir no Brasil serve como falta de incentivo para empreender. Por isso, a reforma tributária é fundamental. Se você perguntar para qualquer empresário, ele vai reclamar que é impossível entender a parte fiscal do Brasil. Existe tanto imposto, tanta confusão, que muita gente desiste.

Dentro disso, qual deveria ser o papel do Estado na economia?

Se o governo simplificasse os impostos e a burocracia para abrir e fechar empresas, que deveria ser o foco, já melhoraria o ambiente de negócios e contribuiria para a expansão da economia. Eu gostaria que o Estado não estivesse envolvido em nada. Quanto menos o governo intervir na economia é melhor. Pode e deve regular, mas não se intrometer, sendo dono de empresas. O governo deveria ter outras prioridades, como oferecer uma linha de crédito para o desenvolvimento de startups.

Qual seria sua recomendação para quem pensa em empreender?

Arregaçar as mangas. Acredito que sempre tem oportunidades para pessoas determinadas. Mas é preciso fazer uma autoanálise para saber se você vai ter comprometimento e determinação para chegar a um objetivo. Além da força de vontade, é necessário ter competência. Escolher uma coisa que saiba fazer bem e conhecer tudo sobre a atividade. Outro ponto vital é se cercar de pessoas capacitadas.

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