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“Se acontece com a presidente”: Sheinbaum assediada em praça pública

Da redação
8 de novembro de 2025

A cena dura apenas alguns segundos, mas gerou repercussão mundial: na terça-feira (4), enquanto cumprimentava apoiadores no centro histórico da Cidade do México, próximo do Palácio Nacional, a presidente Claudia Sheinbaum foi assediada em público por um homem diante de seus seguranças, que timidamente tentam afastá-lo. O agressor tentou abraçá-la por trás, beijá-la no pescoço e quase tocou seus seios. Aparentemente embriagado ou drogado, como descreveu a presidente, ele saiu do local sem ser incomodado para ser detido horas depois. Antes de Uriel Rivera Martínez ser encontrado, o ataque já estava viralizado em vídeos nas redes sociais. O episódio constrangedor foi escolhido a Imagem da Semana de MR.

Tão ruim quanto a quebra do protocolo de segurança da maior autoridade do país em que o narcotráfico é formado por cerca de 400 organizações criminosas que assassinam autoridades é a constatação de que a violência sexual cotidiana enfrentada por mulheres não respeita hierarquias.

No dia do ataque, Sheinbaum fez o que toda mulher deve fazer. Ela apresentou queixa formal contra Rivera Martínez na Promotoria de Crimes Sexuais da Cidade do México. Em pronunciamento, ela foi direta:

“Se eu não denunciar, o que acontecerá com as outras mulheres mexicanas? Se isso acontece com a presidente, o que acontece com todas as mulheres do país?”

Um caso individual que reflete uma estatística nacional

Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi), o IBGE mexicano, mais de 70% das mexicanas com 15 anos ou mais já foram vítimas de algum tipo de violência — psicológica, física ou sexual. Só em 2024, mais de 3 mil feminicídios foram registrados. A subnotificação estimada é superior a 90%.

A secretária das Mulheres do México, Citlali Hernández, chamou o episódio de “expressão crua da normalização machista que invade a vida das mulheres”.

Debate sobre segurança presidencial e legislação

O caso também trouxe à tona críticas sobre o modelo de segurança adotado desde o governo de Andrés Manuel López Obrador, que aboliu o tradicional Estado-Maior Presidencial para aproximar o poder público da população. Sheinbaum manteve a política — e, mesmo após o assédio, afirmou que não pretende reforçar barreiras entre ela e os cidadãos.

Ao mesmo tempo, sinalizou mudanças no campo jurídico:

“Vamos revisar a legislação para que o assédio seja crime em todos os 32 estados do país. Ninguém pode violar nosso corpo ou nosso espaço pessoal.”

Nem todos os estados mexicanos tratam o assédio sexual como crime, o que leva a punições desiguais e dificulta as denúncias.

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