Presidente da big tech, Brad Smith, disse que a empresa encontrou evidências que confirmam “elementos” da denúncia do The Guardian. Plataforma em nuvem teria facilitado a preparação de ataques aéreos mortais
A gigante da tecnologia Microsoft anunciou, nesta quinta-feira (25), que cancelou contratos com o Ministério da Defesa de Israel após o jornal britânico The Guardian revelar que um software da companhia dos Estados Unidos que era usado para monitoramento e vigilância em massa de celulares da população palestina na Faixa de Gaza. A decisão ocorre justo após aumentar a pressão de países europeus sobre os ataques israelenses e as acusações de limpeza étnica e genocídio na região.
Em carta enviada aos trabalhadores da big tech, o presidente da Microsoft, Brad Smith, disse que a empresa encontrou evidências que confirmam “elementos” da reportagem do The Guardian. “As medidas que estamos tomando são para garantir a conformidade com nossos termos de serviço, com foco em garantir que nossos serviços não sejam usados para vigilância em massa de civis”, afirmou Smith.
Ainda segundo o chefe da Microsoft, a decisão não afeta “o importante trabalho que a Microsoft continua a fazer para proteger a segurança cibernética de Israel e outros países no Oriente Médio”.
Brat Smith destacou ainda que a empresa não fornece tecnologia para facilitar a vigilância em massa de civis. “Aplicamos esse princípio em todos os países do mundo e insistimos nele repetidamente por mais de duas décadas”, acrescentou.

The Guardian
Em reportagem publicada em 6 de agosto, o Guardian sustentou que Israel usa uma nuvem da Microsoft para vigilância em massa de palestinos, armazenando um enorme acervo de ligações telefônicas em servidores localizados na Europa.
O software Azure da Microsoft teria uma capacidade “quase ilimitada” de armazenar dados, funcionando como uma poderosa arma de vigilância em massa com capacidade de guardar 1 milhão de chamadas por hora.
“Um sistema abrangente e intrusivo que coleta e armazena gravações de milhões de chamadas de celular feitas diariamente por palestinos em Gaza e na Cisjordânia”, disse o jornal inglês.
A plataforma de armazenamento teria facilitado a preparação de ataques aéreos mortais e moldado as operações militares em Gaza e na Cisjordânia. Segundo a Microsoft, a empresa não poderia acessar os dados utilizados pelo Ministério da Defesa de Israel por causa dos compromissos de privacidade com os clientes da empresa.
(Agência Brasil)
