Xi Jinping e Vladimir Putin reforçam cooperação em energia, infraestrutura e governança global em meio à disputa geopolítica com os EUA
China e Rússia aprofundaram nesta quarta-feira (20) sua parceria estratégica com a assinatura de 42 acordos e memorandos de cooperação durante a visita do presidente russo, Vladimir Putin, a Pequim. O movimento reforça o alinhamento político e econômico entre os dois países em um momento de crescente tensão com os Estados Unidos.
O encontro marcou os 25 anos do Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amigável entre chineses e russos e teve forte tom diplomático e geopolítico. Entre os principais documentos assinados estão declarações conjuntas sobre fortalecimento da parceria estratégica, defesa do multilateralismo e apoio a uma nova configuração de governança global baseada em um mundo multipolar.
Na prática, os acordos ampliam a coordenação entre Moscou e Pequim em áreas consideradas sensíveis para o equilíbrio internacional, incluindo infraestrutura, energia nuclear, telecomunicações, turismo e educação.
Durante o encontro, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que os dois países devem aprofundar a coordenação estratégica para impulsionar o desenvolvimento interno e tornar o sistema global “mais justo e equitativo”.
Além das declarações políticas, os governos assinaram acordos para construção de uma segunda linha ferroviária ligando os dois países e memorandos sobre cooperação em energia nuclear e fusão termonuclear de uso pacífico.
Outros 20 memorandos menores envolveram universidades, veículos de comunicação e projetos culturais, ampliando a integração entre instituições russas e chinesas.
A visita de Putin ocorreu poucos dias após a passagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por Pequim. Enquanto Trump buscava avanços comerciais e apoio chinês para questões envolvendo o Oriente Médio, a agenda russa teve foco em consolidação diplomática e alinhamento estratégico de longo prazo.
O avanço da relação entre China e Rússia também sinaliza uma tentativa dos dois países de fortalecer alternativas à influência econômica e política de Washington em meio às disputas tarifárias, sanções e reorganização das cadeias globais de poder.
