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A morte e a morte de Juliana Marins

Da redação
28 de junho de 2025

A Imagem da Semana foi o registro do resgate – finalizado na manhã desta quarta-feira (25) – do corpo da brasileira Juliana Marins, de 24 anos, que morreu enquanto fazia uma trilha no vulcão Rinjani, na ilha de Lombok, na Indonésia. A operação durou, ao todo, mais de 14 horas.

O caso comoveu a opinião pública brasileira ao longo de dias. Juliana foi encontrada morta na terça-feira (24), após três dias desaparecida na encosta do vulcão. Natural de Niterói (RJ), a jovem sofreu uma queda de aproximadamente 300 metros, no sábado (21). Dançarina e publicitária, ela estava em uma viagem de mochila pela Ásia desde fevereiro, passando por Filipinas, Tailândia e Vietnã.

Cerca de três horas após a queda, turistas a avistaram e contataram a família, enviando a localização exata e imagens. Um drone a captou movendo os braços na encosta repleta de pedras soltas. A família mobilizou as redes sociais e o assunto se tornou um dos mais comentados na internet. A página criada pela família para informar e repercutir as diversas demandas dos envolvidos ganhou milhares de seguidores em poucas horas, alcançando 1,2 milhão de seguidores.

A família relatou que Juliana ficou desamparada aguardando resgate, escorregando montanha abaixo. Antes de ser alcançada, ela foi vista diversas vezes em pontos diferentes. Via drone, Juliana foi avistada pela última vez, antes de ser encontrada morta, cerca de 500 metros abaixo de onde estava, visualmente imóvel. Posteriormente, o corpo foi encontrado a cerca de 650 metros de distância do local do primeiro avistamento.

Autópsia

Um trauma contundente, resultando em danos a órgãos internos e hemorragia, foi a causa da morte de Juliana. É o que informou a autópsia divulgada nesta sexta-feira (27) por autoridades indonésias. “Encontramos arranhões e escoriações, bem como fraturas no tórax, ombro, coluna e coxa. Essas fraturas ósseas causaram danos a órgãos internos e sangramento”, afirmou o especialista forense Ida Bagus Alit. “A vítima sofreu ferimentos devido à violência e fraturas em diversas partes do corpo. A principal causa de morte foram ferimentos na caixa torácica e nas costas”.

A autópsia foi realizada na noite de quinta-feira (26). Alit também afirmou que não havia evidências que sugerissem que a morte tivesse ocorrido muito tempo após os ferimentos. “Por exemplo, havia um ferimento na cabeça, mas nenhum sinal de hérnia cerebral. A hérnia cerebral geralmente ocorre de várias horas a vários dias após o trauma. Da mesma forma, no tórax e no abdômen, houve sangramento significativo, mas nenhum órgão apresentou sinais de retração que indicassem sangramento lento. Isso sugere que a morte ocorreu logo após os ferimentos”, explicou.

A partir dos resultados da autópsia, ele estima que a morte de Juliana ocorreu em torno de 20 minutos após os ferimentos. Essa estimativa é diferente da declaração da Basarnas (a agência de buscas e resgates da Indonésia) de que Juliana foi encontrada na noite de terça-feira (24), “confirmada morta”.

Dessa maneira, não há qualquer evidência de que a jovem tenha agonizado por horas ou dias após cair no Monte Rinjani, como sugerem algumas imagens captadas horas após a queda. As dúvidas sobre o laudo jogam suspeitas sobre as autoridades, que tentariam amenizar as críticas sobre a demora no resgate. Por enquanto ficará impossível afirmar se a brasileira morreu logo ou como se permaneceu horas – ou dias – agonizando no frio da altitude. É como se Juliana tivesse sofrido duas mortes.

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