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Sua majestade, o arroz Biro-Biro

Aluizio Falcão Filho
21 de junho de 2026

Em outubro de 2024, por conta da ida do grande publicitário Washington Olivetto ao andar de cima, escrevi um texto em sua homenagem que mencionava a criação do arroz Biro-Biro (há outras versões, envolvendo outros personagens, mas essa foi checada por mim com duas fontes: o próprio Olivetto e o jornalista Thomaz Souto Corrêa):

Washington era corintiano fanático e cunhou o termo “Democracia Corintiana” para intitular o movimento de jogadores como Vladimir e Sócrates, que sacudiram o time no início dos anos 1980, ao final do regime militar.

Sócrates, aliás, esteve envolvido, juntamente com Washington, na gênese do arroz Biro-Biro, uma iguaria que é servida em dez entre dez churrascarias do Brasil.  Thomaz Souto Corrêa, um dos jornalistas mais inteligentes, argutos e inteligentes que conheci, almoçava com os dois no restaurante Rodeio, bem no começo da década de 1980.

Thomaz, então, pediu que se misturasse em uma frigideira com manteiga alguns ovos, tiras de presunto, cebola tirolesa, salsinha e um pouco de batata palha a uma porção de arroz branco. O dono do restaurante, Roberto Macedo, ouviu do maitre Ramón Mosquera López que o jornalista havia criado uma receita muito boa e veio até à mesa provar a gororoba. Gostou tanto que resolveu incluir a receita no cardápio.

Perguntou, então, qual era o nome do prato. Thomaz resolveu homenagear seu comensal: “Arroz Sócrates”. O “doutor”, porém, declinou. Foi então que Washington, olhando o dourado da batata palha, disparou: “Até que lembra os cachinhos do Biro-Biro”, referindo-se a outro jogador do Corinthians. O nome pegou na hora”.

Curiosamente, Macedo, que torcia para outro time de futebol, não usou o nome por muito tempo e tratou de rebatizá-lo. Assim, quem vai a essa churrascaria – cujos preços são bastante salgados para qualquer bolso – verá que esta iguaria se chama, no cardápio, “arroz Rodeio”.

Neste mesmo endereço, Thomaz criou outra delícia, a farofa que leva o seu nome. São ovos fritos, no ponto certo, com um punhado de farinha puxada na manteiga. O resultado é muito melhor que a farofa de ovos tradicional. Mas você terá de pedi-la ao garçom, pois essa maravilha não está no menu.

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