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Por que as cozinhas estão ficando quase invisíveis?

Lorena Scavone Giron
22 de julho de 2026

Marcenaria contínua, eletrodomésticos embutidos e revestimentos discretos ajudam a integrar o ambiente à área social e reduzem o excesso de informação visual

A cozinha continua sendo um dos principais pontos de encontro da casa, mas sua presença visual está cada vez mais discreta. Geladeiras embutidas, coifas quase imperceptíveis, armários sem puxadores aparentes e eletrodomésticos incorporados à marcenaria ajudam a criar ambientes que se confundem com a sala de estar e a varanda gourmet.

A proposta faz parte do chamado design silencioso, conceito que busca reduzir interferências visuais e integrar tecnologia, funcionalidade e estética de maneira mais equilibrada. Em vez de destacar cada elemento da cozinha, o projeto aposta em superfícies contínuas, materiais semelhantes e soluções que mantêm utensílios e equipamentos fora do campo de visão.

Para a arquiteta e especialista em pisos e revestimentos Rose Chaves, a tendência acompanha a transformação das plantas residenciais, que passaram a valorizar áreas sociais mais abertas e conectadas.

“Quanto mais integrada a cozinha, menos ela precisa chamar atenção. O objetivo não é esconder o ambiente, mas fazer com que ele se conecte naturalmente ao restante da casa”, afirma.

Nesse tipo de projeto, a organização começa ainda na fase de planejamento. Nichos fechados, despensas internas, iluminação embutida, acabamentos foscos e painéis que escondem eletrodomésticos ajudam a preservar a funcionalidade sem deixar o espaço visualmente carregado.

Os revestimentos também ganham protagonismo ao estabelecer uma linguagem comum entre a cozinha e os demais ambientes. O uso do mesmo piso ou de materiais com tonalidades semelhantes reduz as divisões visuais e amplia a sensação de continuidade.


“Quando piso, paredes e materiais conversam entre si, o olhar percorre os ambientes de forma mais natural. A cozinha continua presente, mas deixa de competir visualmente com a sala”, explica Rose.

A escolha dos eletrodomésticos segue a mesma lógica. Modelos de embutir, acabamentos neutros e equipamentos instalados atrás de portas ou painéis aparecem como alternativas para quem busca um ambiente mais organizado, sem abrir mão de recursos tecnológicos.

Além da estética, a tendência reflete uma procura crescente por casas que transmitam tranquilidade. Diante de uma rotina marcada por telas, informações e estímulos constantes, interiores com menos elementos aparentes ajudam a criar uma atmosfera mais acolhedora.

“O design silencioso não elimina a personalidade do projeto. Ele elimina os excessos para que aquilo que realmente importa possa ser valorizado”, diz a arquiteta.

Com mais de 30 anos de atuação em arquitetura e design de interiores, Rose Chaves é especialista em pisos e revestimentos e está à frente da Prime Revest, em Santo André, na Grande São Paulo.

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