Garrafas submersas em lagos e no oceano transformam a paisagem do Alentejo em adega natural e criam experiências que unem vinho, turismo e aventura
Conhecido pelos vinhos, pelas paisagens e pelo ritmo tranquilo, o Alentejo também vem surpreendendo com uma forma pouco convencional de envelhecer bebidas: debaixo d’água.
A técnica transforma lagos e o oceano em adegas naturais, onde as garrafas permanecem submersas por meses, sob temperatura estável, pouca luz e pressão constante. O resultado são rótulos de personalidade marcante e uma experiência que começa antes mesmo da degustação.

Uma das iniciativas pioneiras é o Vinho da Água, da Ervideira. Lançado em 2015, o projeto leva garrafas do Conde D’Ervideira para cerca de 30 metros de profundidade no Lago Alqueva. Após o estágio em barricas de carvalho, os vinhos passam oito meses submersos.
Segundo a vinícola, o processo ajuda a criar bebidas mais suaves, aromáticas e equilibradas, com frescor que combina especialmente com carnes grelhadas e queijos intensos.
Em Sines, a Ecoalga foi além e criou a Adega do Mar. No projeto, vinhos, rum, azeite, mel e ginja de Óbidos envelhecem entre oito e 40 metros de profundidade na costa alentejana.
A passagem pelo oceano também transforma a aparência das garrafas, que podem voltar à superfície cobertas por conchas e outros elementos marinhos. Nenhuma delas termina o processo exatamente igual à outra.

A experiência virou ainda uma atração turística. Visitantes podem embarcar até os pontos onde as bebidas estão armazenadas, mergulhar para resgatar as garrafas e participar de degustações logo depois.


