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Exame: Por que a Vichy criou um “Kit Emergência” para quem usa canetas emagrecedoras

Da redação
11 de setembro de 2026
Protocolo dermatológico reúne três produtos e reflete uma mudança na estratégia da marca diante da popularização dos medicamentos para emagrecimento

Efeitos colaterais do processo de emagrecimento, como flacidez da pele e queda de cabelo, não são novidade. Em especial quando a perda de peso acontece de forma rápida. Mas um grande volume de pessoas lidando simultaneamente com esses efeitos é um fenômeno recente, resultado da popularização do uso das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos injetáveis à base de análogos de GLP-1.

De olho nesse cenário, a Vichy, marca de dermocosméticos do Grupo L’Oréal, lançou o Kit de Emergência. O combo reúne três produtos de seu portfólio e é apresentado como “o primeiro protocolo dermatológico integrado” para consumidores que passam por essa perda de peso.

“Estamos vivendo uma grande ruptura na medicina e na saúde. É algo transformador de verdade. Então, sem dúvida, já estamos olhando para como podemos atender esse consumidor”, afirma Belisa Avena, diretora-geral da Vichy no Brasil, em conversa com a EXAME.

O kit foi desenvolvido com base em uma mudança que a empresa começou a acompanhar com mais intensidade no fim de 2025. Segundo a Vichy, 46% das conversas online sobre medicamentos para emagrecimento já mencionam problemas como flacidez e queda capilar.

“O que nos chamou a atenção foi justamente a escala que esse fenômeno ganhou. Não estamos falando de um efeito isolado, mas de uma nova realidade para milhões de pessoas.”

Produtos vieram antes

O Kit Emergência é composto pelo Liftactiv Colágeno Specialist 16 Sérum, nome que faz referência aos 16 tipos de colágeno cuja formulação busca estimular. O segundo produto é o Dercos Regen Booster, voltado à queda e ao crescimento dos fios, seguido do Dercos Collagen Repair 17, que atua no fortalecimento da fibra capilar.

Os produtos, no entanto, não foram criados especificamente para atender a usuários de GLP-1. Os três itens já existiam no portfólio da Vichy e foram desenvolvidos a partir de pesquisas sobre perda de colágeno, firmeza da pele e queda capilar. A novidade é a combinação em um mesmo protocolo.

“Nós já trabalhávamos muito com esse conceito de reposição de colágeno. O ser humano perde colágeno vivendo normalmente e, à medida que envelhece, nossa capacidade de estimular essa produção vai sendo reduzida. Então, a pesquisa científica ajuda justamente a encontrar essas necessidades”, explica Nathalia Harnam, diretora de comunicação científica da divisão de beleza dermatológica da L’Oréal.

No caso do sérum capilar para controle da queda dos fios, a executiva afirma que a ciência que sustenta o produto também é anterior ao fenômeno das canetas. “Já tínhamos estudos comparativos mostrando a eficácia dele, até mesmo em condições de alopecia”, diz Harnam.

A marca, então, percebeu que fazia sentido direcionar os produtos para esse perfil de consumidor. Agora, a ideia é conduzir novos estudos clínicos para entender especificamente a resposta de pessoas que utilizam medicamentos GLP-1.

Mudança estrutural

Vichy já trata os usuários de medicamentos para emagrecimento como um público que deve influenciar o desenvolvimento de diversos produtos nos próximos anos. Avena destaca que o potencial desse mercado no Brasil é ainda maior que em outros lugares.

“Hoje, todas as pesquisas que recebemos e temos acesso mostram que o uso de GLP-1 realmente deve provocar uma mudança estrutural.”

Para Harnam, essa mudança também altera a maneira como a indústria de beleza precisa conversar com o consumidor. A questão, diz, deixa de ser apenas estética e passa a envolver composição corporal, metabolismo e envelhecimento.

“Não é sobre o quanto você perde de peso. É sobre o quanto você ganha de saúde. Por isso, é importante que as pessoas aprendam a fazer escolhas que impactem positivamente a saúde no longo processo. Falamos muito em longevidade, mas como é que você quer chegar lá? Com qual nível de saúde?”, questiona.

Cuidado é diferente de incentivo

As canetas emagrecedoras são alvo de um debate que ultrapassa a medicina e envolve estética, pressão por corpos magros e o risco de uso sem indicação ou acompanhamento médico. Para a Vichy, o lançamento do Kit Emergência não significa incentivar o uso dos medicamentos.

“Não queremos, de maneira alguma, fazer apologia ao uso da caneta. O que mostramos é que, se a pessoa está nesse processo de emagrecimento, ela precisa fazer isso da maneira mais saudável possível”, diz Avena.
Para reforçar a credibilidade, a marca trabalha em parceria com dermatologistas e endocrinologistas da discussão a fim de educar os pacientes. O movimento também está alinhado ao espaço que Vichy quer ocupar no mercado de beleza, combinando dermatologia, metabolismo e longevidade.

“A beleza é uma consequência da saúde. Nosso core é como podemos amplificar e melhorar a saúde da pele e do cabelo das pessoas. A beleza vem como consequência disso”, finaliza Harnam.


Por Soraia Alves

Publicação original

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