De resorts em Cabo Verde à Rota da Seda no Uzbequistão, levantamento da Nomad revela preferências de consumo entre os viajantes do Brasil
A Copa do Mundo de 2026 está chegando ao fim, mas já se consolidou para além do futebol. É o que mostra o novo levantamento da Nomad: países estreantes do torneio, como Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão, despertaram o interesse turístico nos viajantes brasileiros nas últimas semanas.
Segundo o relatório da fintech, feito com base no consumo dos mais de 3,8 milhões de usuários da Nomad, os quatro países tiveram aumento de buscas e de consumo desde o início da Copa. O país africano foi o maior destaque — resultado da trajetória histórica que viveu no mundial e da conexão do goleiro Vozinha com a torcida brasileira.
Veja abaixo o mapeamento econômico dos clientes da fintech nestes quatro países:
Cabo Verde: resorts de luxo e gastronomia

Cabo Verde, cujo idioma oficial é o português, foi uma das principais surpresas do início da Copa do Mundo de 2026. Empatou com seleções consolidadas, como Uruguai e Espanha, e deu trabalho para a Argentina na disputa pela vaga nas oitavas de final.
Fora das quatro linhas, o arquipélago africano atraiu turistas brasileiros principalmente pelo ecossistema integrado de resorts com padrão europeu. O volume de gastos, mostra o relatório da Nomad, concentra-se nos complexos hoteleiros all-inclusive da Ilha do Sal, liderados pelas redes RIU Hotels, Meliá Llana e Meliá Dunas. A logística inter-ilhas é dominada pela companhia aérea nacional TACV.
Fora dos hotéis, as redes Alis e Calu & Angela funcionam como os principais eixos para compras de conveniência e produtos típicos, como o Café do Fogo e a aguardente Grogue. Nos restaurantes, os brasileiros utilizam cartões internacionais para consumir a tradicional cachupa e peixes frescos da costa.
A rotina de despesas no país é facilitada pela Rede Vinti4, o sistema interbancário nacional que processa transações desde grandes hotéis até pequenos comércios e táxis, e permite o uso fluido de pagamentos digitais. Como o Escudo cabo-verdiano possui câmbio fixo atrelado ao Euro (€), os viajantes conseguem otimizar custos convertendo o saldo diretamente para a moeda europeia.
Curaçao: mobilidade independente e cultura de praia

O comportamento de consumo em Curaçao, no Caribe Holandês, reflete um perfil de viajante mais focado em autonomia.
O relatório da Nomad indica que os brasileiros priorizam a independência de locomoção. Locadoras de veículos, como a D&D Car Rental, são líderes de transações no destino. O transporte é uma necessidade para acessar praias mais distantes ao norte, como Kenepa Grandi e Cas Abao.
Outro padrão de consumo é a parada no supermercado Van Den Tweel (Albert Heijn) para abastecer coolers de praia com a cerveja local Amstel Bright. Na orla, o faturamento se concentra em praias privadas e beach clubs, como Jan Thiel, Blue Bay e Mambo Beach.
Jordânia: decoração e turismo de experiência

Entre os quatro destinos, é na Jordânia que o consumidor brasileiro mais abre a carteira. O tíquete médio elevado é dividido entre experiências de luxo e compra de artigos de decoração, artesanato e lembranças afetivas. A cooperativa Peace Land for Oriental Antiques, por exemplo, concentra valores expressivos de faturamento na região.
Além dela, ao longo da histórica Estrada do Rei, bazares em castelos antigos e oficinas de mosaicos em Madaba — cidade conhecida mundialmente por essa arte — lideram o volume diário de compras. Para deslocamentos urbanos em Amã, capital da Jordânia, o aplicativo Careem Ride desponta como líder em transações devido ao custo-benefício.
O turismo de experiência de luxo, centralizado na histórica cidade de Petra e em acampamentos de alto padrão no deserto de Wadi Rum, como as cúpulas do Suncity Camp, compreende os maiores gastos na região. Estadias nos resorts do complexo Dead Sea Gateway, no Mar Morto, são destaques no relatório da Nomad.
Na gastronomia, a tradicional doceria Habibah Sweets é o ponto mais procurado para o consumo do autêntico doce Kanafeh.
Uzbequistão: tecnologia e sofisticação na Rota da Seda

O perfil do turista brasileiro que desbrava o Uzbequistão combina o interesse por rotas históricas com uma dependência de soluções tecnológicas. Para garantir deslocamentos urbanos seguros e previsíveis por Tashkent, Samarcanda e Bukhara, o superaplicativo Yandex Go funciona como o principal aliado de transporte do viajante.
O volume financeiro dessa rota se concentra na hotelaria cinco estrelas, com protagonismo para o Hyatt Regency. O público de alta renda utiliza cartões internacionais para acessar lounges VIP aeroportuários de alto padrão, como o recém-inaugurado Anjir Business Lounge e o Riza Premier, além de garantir bilhetes para o trem de alta velocidade Afrosiyob.
No varejo alimentar, despesas com vinhos e iguarias típicas concentram-se na rede de supermercados Korzinka, enquanto jantares sofisticados no prestigiado Sato Restaurant consolidam a busca por experiências que unem alta gastronomia e apresentações de música tradicional uzbeque.
Por Luiza Vilela
