Segundo o Financial Times, preços mais baixos ampliam a compra por mulheres e pressionam o mercado de pedras naturais
Os diamantes produzidos em laboratório estão alterando não apenas os preços, mas também a dinâmica de consumo do mercado de joias. Segundo o Financial Times, a maior acessibilidade dessas pedras tem incentivado um movimento de compra própria entre mulheres, reduzindo a dependência do modelo tradicional em que o diamante aparece associado principalmente a pedidos de casamento e presentes masculinos.
Alexis Nasard, CEO da Swarovski, afirmou ao jornal britânico que os diamantes sintéticos estão ampliando o chamado self-purchase. Na visão do executivo, mulheres passaram a entrar nas lojas, experimentar uma joia e decidir comprá-la para si mesmas, em vez de esperar que a peça seja oferecida por outra pessoa.
A mudança acontece ao mesmo tempo em que os diamantes de laboratório avançam rapidamente sobre o mercado de pedras naturais. Nos Estados Unidos, mais de 60% das pedras utilizadas atualmente em anéis de noivado já são produzidas em laboratório, de acordo com Nasard. Ele estima que essa participação possa chegar a 80% nos próximos dois anos.
O avanço coloca pressão adicional sobre a indústria tradicional de diamantes, que enfrenta uma diferença de preços cada vez maior entre as duas categorias.
Segundo o analista de mercado Paul Zimnisky, ouvido pelo Financial Times, o valor no atacado de diamantes produzidos em laboratório caiu para cerca de US$ 100 por quilate. As pedras naturais, por outro lado, continuam sendo negociadas por valores que chegam a milhares de dólares por quilate.
A queda acompanha a expansão da produção, concentrada principalmente em países como China e Índia, e segue uma dinâmica semelhante à observada em outros produtos manufaturados, nos quais o ganho de escala e o avanço tecnológico reduzem os preços ao longo do tempo.
Swarovski aposta em novo posicionamento
A Swarovski entrou no mercado de diamantes de laboratório em 2018, como parte de uma tentativa de ampliar sua presença no segmento de luxo. A companhia, conhecida historicamente por cristais e peças de vidro, nunca comercializou diamantes extraídos de minas.
Para Nasard, entretanto, o movimento de “luxurização” da marca acabou avançando além do necessário. A empresa passou a oferecer joias mais elaboradas e caras, enquanto o ritmo de crescimento das vendas perdeu força.
Em 2025, a Swarovski registrou receita de € 1,9 bilhão, alta de 6% em relação ao ano anterior, mas ainda distante dos € 3,37 bilhões faturados há cerca de uma década.
Desde 2022, a companhia tenta reposicionar a marca sob o conceito de “pop luxury”, combinando percepção de luxo com preços mais acessíveis. A expectativa é de que o crescimento mais forte venha justamente da faixa intermediária do portfólio, com produtos entre € 350 e € 800.
Mesmo com a queda do custo das pedras sintéticas, a Swarovski afirma que sua estratégia de preços não acompanha diretamente a cotação da matéria-prima. Segundo Nasard, o consumidor compra o valor associado à marca e ao produto acabado, e não apenas o diamante utilizado na peça.
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