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O que pode acontecer com os ex-diretores da Americanas

Estrelas corporativas, ex-executivos agora estão Lista Vermelha da Interpol ao lado de procurados em 190 países. Quem são eles

A Polícia Federal (PF) considera foragidos o ex-CEO das Lojas Americanas, Miguel Gutierrez, e a ex-diretora da rede varejista, Anna Christina Ramos Saicali. Ambos são alvos de ordens de prisão preventiva no âmbito da Operação Disclosure, deflagrada nesta quinta-feira (27), por suposta participação em fraudes contábeis de R$ 25,3 bilhões. Eles foram denunciados por meio de delações premiadas de funcionários da rede que sabiam da fraude. A PF afirma ter encontrado evidências que Gutierrez transferiu recursos para paraísos fiscais na tentativa de proteger seu patrimônio de eventuais confiscos, o que configuraria crime de lavagem de dinheiro.

Como não foram localizados pela PF por residirem no exterior, eles foram incluídos na lista de Difusão Vermelha da Interpol – a relação dos mais procurados da agência internacional de cooperação policial. Gutierrez estaria na Espanha, onde vive há cerca de um ano, enquanto Saicali passaria uma temporada em Portugal. Se detidos no exterior, podem ser deportados ou responder processo lá fora até eventual condenação.

A Interpol mantém uma lista atualizada de indivíduos procurados globalmente. Nela constam diversos brasileiros acusados de crimes graves que são procurados nos 190 países membros da organização. A diversidade dos perfis é vasta e reflete a complexidade e a gravidade dos crimes atribuídos, indo de jovens infratores até traficantes de drogas e armas.

A Difusão Vermelha é uma ferramenta crucial, conforme explicado pelo delegado da Polícia Federal, Valdecy Urquiza: “Esta ferramenta funciona como um banco de dados global que agrega os nomes de pessoas com uma ordem de prisão emitida por um juiz. Uma vez que essas informações são enviadas à Interpol, elas são inclusas no sistema e se tornam acessíveis às polícias dos países membros”. Dessa maneira, os executivos podem ser capturados de maneira ágil em qualquer um dos 190 países membros.

Em setembro do ano passado, Gutierrez negou que tivesse conhecimento das fraudes contábeis. À época, o ex-CEO era acusado pela nova diretoria das Lojas Americanas de uma ação orquestrada para enquadrar acionistas e lucrar com venda de ações artificialmente valorizadas por manipulação.

Biografias

Engenheiro, Miguel Gutierrez entrou na Americanas em 1993 e passou por diversas áreas, como operações e logística, antes de chegar ao cargo de presidente da companhia em 2001. Ele permaneceu no cargo até dezembro de 2022, dando lugar a Sergio Rial, ex-presidente do Santander, que, um mês após assumir, revelou o rombo bilionário na empresa. Sempre com um perfil discreto, Gutierrez se mantém longe das redes sociais e raramente concede entrevistas. Ele era o homem de confiança de Carlos Alberto Sicupira, que faz parte do trio de acionistas de referência da companhia, junto com Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles.

Gutierrez nasceu em 1961 no Brasil e tem cidadania espanhola. Como executivo, também trabalhou como gerente de produção da Michelin entre 1986 e 1988. No ano seguinte, entrou na Casa da Moeda, onde foi superintendente de recursos humanos e diretor técnico até 1993.

Anna Saicali é formada em artes plásticas pelo Mackenzie e finanças corporativas pela New York University. Ela entrou na Americanas em 1997 como diretora das áreas de gente e tecnologia. Em 2004 foi alçada à diretora-presidente da B2W Digital, empresa resultante da incorporação da Submarino.com com a Americanas. Em 2018, se tornou presidente do conselho de administração ao mesmo tempo que tocava a Ame Digital, a carteira digital da varejista. Saicali foi afastada de suas funções em 3 de fevereiro de 2023, um mês após a divulgação do rombo bilionário. Hoje ela se define como autônoma e investidora anjo de startups.

Prisão

Cerca de 80 agentes foram às ruas para cumprir os dois mandados de prisão preventiva contra os dois ex-diretores e 15 mandados de busca e apreensão nas casas de outros ex-diretores no Rio de Janeiro. A Justiça Federal também determinou o sequestro de bens e valores, em quantia superior a R$ 500 milhões, segundo comunicado da PF.

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