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Unilever carbono zero; US$ trilhão verde; mineração destrava bilhões

Da redação
23 de novembro de 2025

Boletim de MONEY REPORT sobre questões ambientais, sociais e de governança no mundo dos negócios


Unilever zera emissões com biometano para sabonetes

A Unilever passou a usar biometano certificado em sua fábrica de sabonetes, em Valinhos (SP), graças a uma parceria com a Edge. A novidade elimina as emissões diretas e reforça a meta global de zerar os escopos 1 (diretos) e 2 (indiretos pela compra de energia) até 2030. Pioneira entre empresas de bens de consumo no Brasil, a iniciativa evita 2 mil toneladas de CO₂ por ano e integra a planta ao grupo de quatro unidades da companhia abastecidas integralmente por energia renovável. Juntas, reduzem mais de 40 mil toneladas anuais de CO₂. O combustível fornecido pela Edge vem da maior planta de purificação de biometano do país, em Paulínia (SP), e fortalece a expansão do uso de gás 100% renovável na indústria.

Mineração verde para o ESG

Estudos apresentados na COP30 mostram que a mineração brasileira vive uma oportunidade decisiva para crescer de forma sustentável, com práticas ESG, gestão hídrica eficiente e economia circular capazes de aumentar em mais de 20% a atividade econômica do setor, gerar até 3 milhões de empregos, economizar R$ 399 bilhões ao ano e reduzir quase 20 MtCO₂e em emissões. A adoção de normas como IFRS S1, S2 e S3 e da Taxonomia Sustentável fortalece a governança, facilita o acesso a capital verde e posiciona o Brasil para liderar o mercado regulado de carbono. Entre as iniciativas destacam-se reaproveitamento de água, monitoramento hídrico em tempo real e reinserção de rejeitos como coprodutos — medidas que ampliam a circularidade, reduzem riscos e consolidam a mineração como motor socioambiental para o país.


US$ 1 tri para renováveis, mas falta velocidade

A segunda semana da COP30 começou com o anúncio de que países se comprometeram a investir US$ 1 trilhão para acelerar a produção e o uso de energias limpas até 2035. Porém, o secretário de clima da Organização das Nações Unidas, Simon Stiell, alertou que a implementação segue lenta apesar da urgência climática. Ele destacou que a economia verde avança mais rápido do que o previsto — com US$ 2,2 trilhões investidos em renováveis no último ano —, porém as negociações não acompanham o ritmo, sendo travadas por impasses, como a falta de consenso sobre a Meta Global de Adaptação e a indefinição de financiamentos para países em desenvolvimento. Stiell pediu foco no que já está em curso, como a cooperação internacional e a agilidade para evitar que debates críticos fiquem para a “hora extra”, no pós-conferência.

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Sicredi impulsiona jovens líderes no S desocial

Na 4ª edição do programa “Módulo de Projetos e Mentorias”, do Sicredi, mostrou que jovens associados apresentaram iniciativas de impacto social no Demoday, em Porto Alegre, reforçando o compromisso da instituição com inovação, cooperativismo e formação de lideranças. Mais de 90 participantes de 20 cooperativas passaram por três meses de capacitação, com workshops, encontros híbridos e mentorias, transformando ideias em propostas concretas voltadas a desafios locais — da inclusão financeira de refugiados à saúde animal, do empreendedorismo feminino à reinserção no mercado de trabalho. O Comitê Jovem, presente em 32 cooperativas e com mais de 2,5 mil integrantes, quer fortalecer o protagonismo de jovens em suas comunidades, boa parte delas afetadas pelas grandes enchentes de 2024 e 2023.

Plataforma de crédito verde a pequenos negócios

O governo federal lançou na COP30 a plataforma Empreender Clima, criada para aproximar micros e pequenos empreendedores de créditos verdes. A iniciativa reuniu cursos, conteúdos técnicos e ferramentas que facilitam o acesso ao Fundo Clima — principal mecanismo de financiamento climático do país. Desenvolvida pelo Ministério do Empreendedorismo (MEMP), em parceria com Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a plataforma permite criar perfis empresariais, gerar gratuitamente o enquadramento exigido para financiamento e acessar capacitações sobre negócios sustentáveis. Com taxas a partir de 4,4% ao ano e financiamentos que podem cobrir até 100% dos projetos, os recursos contemplam áreas como energia, logística, florestas, agricultura e indústria verde. Segundo o ministro da pasta, Márcio França, a iniciativa democratiza o crédito climático e coloca o pequeno empreendedor no centro da transição ecológica.

Entregas elétricas da Amazon em 180 cidades

A Amazon Brasil dobrou sua capacidade de entregas com veículos elétricos ao chegar a 29 estações para atender mais de 180 cidades em São Paulo e Minas Gerais. A operação se dá em parceria com a brasileira To Do Green. A expansão reforça o Climate Pledge e a estratégia de descarbonização da empresa, que considera o transporte de emissão zero essencial. Para a companhia, o avanço mostra como crescimento e sustentabilidade podem caminhar juntos, enquanto a To Do Green celebra a duplicação das operações em apenas um ano. A iniciativa se soma aos esforços globais da Amazon, maior compradora corporativa de energia renovável do mundo.


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Brasil antecipa meta do petróleo de 2030

O setor brasileiro de óleo e gás reduziu emissões e está perto de atingir, com sete anos de antecedência, a meta climática de 2030. De acordo com o Inventário de Emissões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), a intensidade de carbono decorrente da exploração e produção de petróleo e gás natural (upstream) caiu para 15,69 kg CO₂e/BOE em 2023, muito próxima do objetivo dos 15,00 kg CO₂e/BOE e abaixo da média global. Mesmo com aumento de 13,4% na produção, as emissões absolutas recuaram 5,8%, comprovando a desvinculação entre crescimento e impacto ambiental.

Coreia do Sul ativa painel solar flutuante para 22 mil casas

A barragem de Andong, na Coreia do Sul, recebeu um grande painel solar flutuante que integra uma usina híbrida solar-hidrelétrica capaz de gerar 47 MW — energia para abastecer cerca de 22 mil residências por ano. Desenvolvido por KHNP, K-Water e governos locais, o projeto de US$ 50 milhões reunirá 16 plataformas conectadas que funcionarão em alternância com a hidrelétrica local, com produção solar de dia e hidráulica à noite. A iniciativa, que deve produzir 61 GWh anuais renováveis, também se destaca pela distribuição de parte dos lucros aos 4,5 mil moradores do entorno, fortalecendo a aceitação da opinião pública. Na Coreia do Sul, a energia solar soma 29,5 GW de capacidade instalada.

BID amplia apoio à bioeconomia na Amazônia

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) firmou com o Ministério do Meio Ambiente um compromisso de longo prazo para fortalecer 60 áreas protegidas da Amazônia, beneficiando cerca de 130 mil moradores com ações focadas em governança comunitária, combate ao desmatamento e expansão da bioeconomia. Integrada ao programa Amazônia Sempre, a iniciativa apoia organizações locais, amplia participação social e reforça a gestão territorial, conectividade e geração de renda baseada na sociobioeconomia. O acordo fortalece o ARPA Comunidades — que já evitou 104 milhões de toneladas de CO₂ desde 2002 — e consolida uma parceria envolvendo BID, MMA, WWF e FUNBIO, agora com apoio do Fundo Verde para o Clima.

Desigualdade trava avanço de lideranças femininas – e deixa de dar lucro

Dados do Global Gender Gap Report 2025 e do estudo Panorama Mulheres 2025 mostram que a presença feminina em cargos de decisão segue estagnada no Brasil e no mundo: a paridade de gênero ainda levaria 123 anos para ser alcançada. Apenas 31% dos cargos de liderança sênior globais são ocupados por mulheres, com o Brasil na 72ª posição em equidade de gênero, com 17,4% das empresas nacionais com uma mulher na presidência. Já a participação em vice-presidências caiu de 34% para 20% entre 2022 e 2024. Entre 310 companhias analisadas, apenas oito contam com mulheres portadoras de deficiência na alta gestão. Para Joyce Romanelli, sócia-diretora da Fluxus e idealizadora do programa Liderança Feminina, o problema é estrutural e exige intencionalidade: investir em programas que formem lideranças conscientes, ampliem espaços, criem redes de apoio e tratem equidade como pauta de gestão e performance, já que empresas com mais mulheres na liderança tendem a ser mais rentáveis, inovadoras e eficientes na retenção de talentos.

Sim, existe uma Academia de Inteligência Racial

A Nestlé lançou a Academia de Inteligência Racial, iniciativa criada pelo grupo Nesblack para ampliar o letramento racial e fortalecer a equidade dentro da companhia. A trilha é dividida em três etapas — inteligência social, sessões aplicadas e inspiração — e aborda desde conceitos estruturais de racismo até práticas inclusivas em áreas como RH, liderança e marketing. A ação se soma ao Programa Ônix, criado para acelerar carreiras de profissionais pretos e pardos queregistra altas taxas de retenção e movimentação interna. A empresa tem 48% de colaboradores negros e avanço nas posições de liderança.

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