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Cacau rastreado; carbono no concreto; pressão no ESG

Da redação
26 de outubro de 2025

Boletim de MONEY REPORT sobre questões ambientais, sociais e de governança no mundo dos negócios

Saalve quer ser o iFood das favelas

Criada por Bruno Lauriano, na favela de Heliópolis, São Paulo, a startup Saalve nasceu para conectar moradores e comércios locais, oferecendo entregas com taxas acessíveis e estimulando o consumo dentro da comunidade. O aplicativo já reúne mercadinhos, farmácias, lojas de bairro e passou a atuar em eventos e ações sociais, como distribuição de cestas básicas e parcerias com o Zoológico de São Paulo. Acelerada pelo programa Vai Tec, da Ade Sampa, a Saalve se tornou um oportunidade de inclusão produtiva e inovação social a ser examinada, mostrando como tecnologia e pertencimento podem estimular o empreendedorismo nas periferias. Informações são da Exame.

Dengo rastreia emissões e busca zerar pegada de carbono

Fundada por Guilherme Leal e Estevan Sartoreli (imagem), a Dengo Chocolates avança em duas frentes de descarbonização. Além da parceria com a WayCarbon, que permite rastrear emissões do cultivo ao consumo e monitorar toda a cadeia de valor, a empresa também iniciou o projeto Créditos para a Terra, em colaboração com a startup americana ReSeed. A iniciativa conecta 75 produtores de cacau da Mata Atlântica ao mercado de créditos de carbono, garantindo novas fontes de renda a agricultores que praticam sistemas agroflorestais e preservam a vegetação nativa. Segundo Sartoreli, o programa combina impacto ambiental e social: até 80% da receita gerada ficará com os produtores, metade em pagamento direto e parte em assistência técnica. Para o co-CEO, a Dengo quer provar que “negócios comprometidos com a transição socioambiental são o verdadeiro futuro do mercado de alimentos”.

EUA e Catar pedem que UE flexibilize regras

Estados Unidos e Catar enviaram carta à União Europeia (UE) pedindo que o bloco alivie sua nova legislação de sustentabilidade corporativa (CSDDD). A alegação é que comércio global de gás natural liquefeito (GNL) pode ser prejudicado. A norma obriga empresas a corrigirem violações ambientais e de direitos humanos em suas cadeias produtivas, sob pena de multa de até 5% do faturamento global. O Parlamento Europeu discute se mantérá ou ajusta o texto, que tem dividido líderes europeus e provocado críticas de grandes exportadores e companhias, como a ExxonMobil, que teme perda de competitividade e restrições nas negociações com a Europa.

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Gado ilegal avança sobre terras protegidas

Relatório da Human Rights Watch revela que fazendas ilegais de gado devastaram áreas protegidas no Pará, incluindo o assentamento Terra Nossa e a Terra Indígena Cachoeira Seca. A investigação aponta que o gado proveniente dessas áreas é vendido a grandes frigoríficos por meio de fazendas intermediárias, enquanto pequenos agricultores e povos indígenas enfrentam violência e perda de território. Mesmo com ações judiciais em curso, a maioria das terras continua ocupada irregularmente. A HRW cobra medidas urgentes de rastreabilidade e desocupação, alertando que o desmatamento já aproxima a Amazônia de um ponto de não retorno ambiental e social

“Colonialismo verde” na transição energética

Estudo divulgado no livro “Politizando o Clima” alerta para os riscos de transformar a pauta climática em produto de mercado, mantendo desigualdades e danos ambientais. Pesquisadores destacam que, sob o discurso de sustentabilidade, países ricos e grandes mineradoras perpetuam dinâmicas de exploração — como na extração de manganês em Marabá (PA) — enquanto populações locais enfrentam poluição, riscos e conflitos. O grupo critica a “financeirização da natureza” e o uso da transição energética como fachada para práticas coloniais, reforçando que a justiça climática depende de reparações reais e não de empréstimos travestidos de soluções verdes.

Embalagens com 80% menos plástico ganham força

Empresas do setor alimentício e de delivery estão substituindo o isopor e o plástico tradicional por embalagens de papel com polietileno extrudado, que reduzem em até 80% o uso de plástico sem comprometer desempenho e segurança. A inovação, liderada por empresas como o Grupo Technocoat, une leveza, reciclabilidade e eficiência logística, além de abrir espaço para o uso de resinas biodegradáveis, como o PLA, derivado de fontes renováveis. A tendência acompanha metas ESG e pressões de consumidores por soluções mais sustentáveis, embora ainda enfrente desafios de custo e escala produtiva

Master Hotéis reduz plástico e CO₂

Entre agosto de 2024 e agosto de 2025, a Rede Master Hotéis registrou avanços concretos em seu programa de sustentabilidade, com a eliminação de 3 toneladas de plástico, preservação de 90 mil litros de água, redução de 25,5 mil quilos de CO₂ e reciclagem de mais de 1 milhão de embalagens. As ações envolveram substituição de itens, eficiência energética e campanhas de engajamento de hóspedes e colaboradores. A iniciativa inclui ainda a tarifa Ecofriendly, que alia experiência do cliente à redução de impacto ambiental.

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Passaporte de produto pode ampliar transparência ao agro

A criação do Digital Product Passport (DPP) pela União Europeia (UE) marca um divisor de águas para o agronegócio brasileiro. O passaporte exigirá que produtos exportados apresentem dados rastreáveis sobre origem, impacto ambiental e condições de produção, conectando-se às regras como a Regulamentação Antidesmatamento da Europa. Para o Brasil, isso significa provar a legalidade da terra, ausência de desmatamento e boas práticas trabalhistas — sob risco de perder acesso a mercados e crédito. A advogada especializada em proteção de dados e compliance Patricia Punder alerta que o setor ainda resiste, mas que ESG e rastreabilidade deixaram de ser custo: tornaram-se ativos estratégicos e condições básicas de competitividade.


Concreto 3D absorve 142% mais carbono

O projeto Diamanti, desenvolvido pela Universidade da Pensilvânia (EUA0 em parceria com a empresa suíça Sika, apresentou um concreto impresso em 3D capaz de absorver 142% mais dióxido de carbono que as misturas tradicionais. Inspirado em estruturas porosas de ossos, o design aumenta a área superficial e reduz em até 60% o uso de material, mantendo a resistência. O protótipo de uma ponte de 10 metros, atualmente em exibição em Veneza, utiliza terra diatomácea para substituir parte do cimento, diminuindo emissões e ampliando a absorção de CO₂. A inovação promete reduzir custos de construção em até 30% e marca um avanço no caminho para um concreto mais sustentável e de baixo carbono.

Braskem quer cumprir novas metas de reciclagem

Com o decreto 12.688/2025, o governo federal definiu metas obrigatórias de reciclagem e uso de conteúdo reciclado em produtos plásticos, impactando diretamente a cadeia industrial. A Braskem tem acelerado projetos de circularidade, como o portfólio Wenew e parcerias com recicladores e startups, para atender às novas exigências. A companhia também investe em tecnologias de reciclagem química e no desenvolvimento de polímeros de base renovável, apontando caminhos para que o setor se adapte à transição para uma economia mais sustentável.

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