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R$ 300 bi na perifa; Libras no Metrô; elas na política; pomares regenerativos

Da redação
22 de março de 2026

Boletim de MONEY REPORT sobre questões ambientais, sociais e de governança no mundo dos negócios


Periferias ampliam peso na economia criativa

As favelas brasileiras movimentam cerca de R$ 300 bilhões por ano, mostra o Instituto Data Favela, consolidando esses territórios como polos relevantes de empreendedorismo e geração de renda. O relatório Sonhos da Favela 2026 mostra que o desejo de abrir o próprio negócio lidera entre os entrevistados, seguido pela busca por trabalhar com o que gosta. O cenário reforça a relação entre economia criativa, inclusão produtiva e mobilidade social. Para apoiar esse anseio, iniciativas despontam no eixo Rio-SP. Por isso é preciso registrar que em Salvador, o programa Boca de Brasa atua com formação, circulação artística e apoio a redes locais. A proposta é ampliar o acesso de jovens periféricos ao mercado cultural e às cadeias criativas.

Metrô SP atende em Libras por vídeo

Passageiros deficientes auditivos do Metrô de São Paulo passaram a contar com atendimento em Língua Brasileira de Sinais (Libras) em videochamadas em tempo real. O serviço começou em 18 de março por meio de QR Codes disponíveis nas estações, conectando os usuários a intérpretes do programa São Paulo São Libras. A iniciativa é uma parceria entre o Metrô e a Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência. O objetivo é ampliar a autonomia no acesso aos serviços públicos. A medida integra a agenda de acessibilidade e inclusão no transporte urbano.

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Tecnologia de varejo no sertão

A Neogrid mantém há mais de sete anos uma parceria pro bono com a organização Amigos do Bem para apoiar a distribuição de produtos de comunidades do sertão nordestino. A empresa fornece ferramentas de pedidos digitais e monitoramento de desempenho no ponto de venda, o que permite previsibilidade na operação e acompanhamento de estoques e reposições. A iniciativa apoia a comercialização de itens como castanhas, ampliando a geração de renda local. Os Amigos do Bem atendem mais de 150 mil pessoas por mês e mantêm 1,8 mil empregos diretos na região. A parceria combina eficiência logística com impacto social na cadeia de consumo.

Com Pula para 50, Trajano busca igualdade no palco político

Durante o evento Mulheres Notáveis 2026, promovido por MONEY REPORT, a empresária Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza e fundadora do Grupo Mulheres do Brasil, destacou a importância de ampliar a participação feminina na política brasileira. Segundo ela, embora as mulheres já tenham conquistado avanços relevantes, ainda estão sub-representadas nos espaços de poder — hoje ocupam apenas 18% das cadeiras do Congresso Nacional.

Para enfrentar essa desigualdade, o grupo lançou a iniciativa Pula para 50, que incentiva candidaturas femininas e quer mais posições políticas. “Nossa meta é colocar 50% de mulheres em altos cargos, inclusive na política. Talvez não consigamos já em 2026, mas queremos dar o grande salto”, afirmou Trajano




Faltam regras para pensão de órfãos de feminicídios

Está em vigor desde 2023 a Lei 14.717, que prevê pensão especial para filhos e dependentes menores de 18 anos de vítimas de feminicídio em famílias de baixa renda. O benefício, equivalente a um salário mínimo (R$ 1621), é dividido entre os dependentes quando a renda familiar per capita for de até 25% do mínimo. A medida atende crianças sem cobertura previdenciária após a morte da mãe e a perda de vínculo com o pai. Casos anteriores à sanção da lei também podem ser contemplados, desde que haja indícios legais. Apesar de existir há três anos, a regulamentação ainda depende de definição sobre procedimentos, órgão responsável e documentação exigida.

Estudo mapeou 128 soluções climáticas e socioambientais

A iniciativa C.A.S.E., articulação entre o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e o Sustainable Business COP (SB COP), divulgou um estudo que analisou 128 soluções climáticas e socioambientais implementadas pelo setor privado no Brasil. Elaborado pela Accenture, o material organiza os casos em nove eixos, como transição energética, bioeconomia, restauração florestal, economia circular e agricultura regenerativa. O levantamento considera critérios como impacto, maturidade, escalabilidade e potencial de financiamento. Entre os achados, foi apontada correlação entre todos os eixos e instrumentos financeiros já disponíveis no mercado. A proposta é identificar gargalos e ampliar a escala de iniciativas alinhadas à agenda de implementação climática.

Transição verde muda da captação à execução

Segundo avaliação da CEO da Systemiq para a América Latina, Patricia Ellen, o principal entrave da transição verde no Brasil deixou de ser a falta de recursos e passou a ser a estruturação de projetos aptos a receber investimentos. A empresa estima que a economia verde possa adicionar entre US$ 230 bilhões e US$ 430 bilhões ao PIB até 2030, com potencial de gerar entre 16 milhões e 28 milhões de empregos. Apesar disso, os investimentos seguem dispersos e insuficientes diante da escala necessária. A leitura é que faltam previsibilidade, redução de risco e pipeline de projetos maduros. Lançada na COP 30, a Plataforma da Nova Economia, da Systemiq, foi criada para mapear, por estados e municípios, oportunidades em cadeias produtivas com maior potencial para a economia de baixo carbono.

Fruticultura regenerativa no RS

A Rasip Agro iniciou a adoção de práticas de fruticultura regenerativa em Vacaria, no Rio Grande do Sul, como parte da estratégia para elevar a produtividade e melhorar as condições do solo e da água. O modelo inclui cobertura vegetal permanente, uso de bioenergéticos e adaptação gradual do manejo em áreas já implantadas. Nos novos pomares, a técnica já é aplicada desde o preparo do solo. A empresa cultiva 1,5 mil hectares de maçãs e pretende estender o sistema também aos pomares em produção. A proposta combina conservação dos recursos naturais, aumento da resiliência e estabilidade produtiva.

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Redução de perdas de água na estratégia das empresas


No Dia Mundial da Água, neste domingo (22), empresas dos setores de lavanderia e higienização destacam medidas de eficiência hídrica como parte de suas operações. Dados do Instituto Trata Brasil mostram que o Brasil perdeu 5,8 bilhões de metros cúbicos de água tratada em um ano, volume equivalente ao abastecimento de cerca de 50 milhões de pessoas. Redes de lavanderia self-service apontam consumo inferior ao da lavagem doméstica, enquanto empresas de limpeza de estofados relatam economia relevante com novos métodos. A lógica apresentada é a de redução de desperdício e menores custos operacionais. O tema conecta gestão de recursos naturais com produtividade empresarial.


Guerra no Oriente Médio amplia pressão sobre crise hídrica


A escalada do conflito no Oriente Médio aprofunda os riscos sobre sistemas de abastecimento regionais já fragilizados pela escassez, mudanças climáticas e pressão demográfica. No caso do Irã, a baixa disponibilidade hídrica é anterior à guerra e se relaciona a décadas de uso intensivo de aquíferos e agricultura dependente de irrigação. Especialistas alertam para a vulnerabilidade de barragens, redes de distribuição e usinas de dessalinização, consideradas infraestruturas críticas em vários países da região. A dependência energética desses sistemas aumenta o risco em cenário de instabilidade. O quadro reforça a água como ativo estratégico para segurança, economia e geopolítica.

Fotovoltaico amplia participação no emprego e na matriz

A cadeia da energia solar no Brasil ultrapassa 55 GW de capacidade instalada e sustenta mais de 1,6 milhão de empregos, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). A projeção é de que a fonte represente até 33% da matriz elétrica brasileira até 2030, com 3,6 milhões de postos de trabalho mantidos. Nesse contexto, a geração distribuída compartilhada ganha espaço como modelo de expansão do acesso à fonte renovável sem exigência de instalação de painéis nos imóveis. A Órigo Energia, por exemplo, informa atender mais de 84 mil unidades consumidoras e operar 529 MW a partir de fazendas solares. O movimento indica avanço da infraestrutura incorporada ao sistema.

Complexo em PE inicia operação com energia contratada


A Atiaia Renováveis iniciou a operação comercial do Complexo Fotovoltaico Sol do Agreste, em São Caetano e Tacaimbó, em Pernambuco. O empreendimento tem capacidade instalada de 169,8 MW e começou a operar com 100% da energia contratada por diferentes modalidades, incluindo autoprodução para grandes consumidores. Durante a construção, o projeto mobilizou mais de 900 profissionais e 11 empresas. A usina fotovoltaica passa a integrar o portfólio da companhia, que inclui pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e outros ativos solares. A operação reforça o avanço de projetos de suprimento renovável de empresas.

SP divulga novas normas para recarga elétrica em prédios

O Corpo de Bombeiros de São Paulo publicou novas regras para a instalação de carregadores de veículos elétricos em edifícios residenciais e comerciais no estado. As normas tratam da adequação de infraestrutura e da segurança das instalações, o que permite a expansão da eletromobilidade sem riscos. A GreenV, empresa do setor, informou ter implantado mais de 15 mil pontos de recarga no país. A expectativa é de que a regulamentação traga parâmetros mais claros para consumidores, síndicos, construtoras e operadores. O tema integra a adaptação urbana à transição da mobilidade.

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