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Novo material de construção captura CO₂ e pode substituir o concreto

Da redação
28 de janeiro de 2026
Desenvolvido por pesquisadores do Worcester Polytechnic Institute, material usa enzima para mineralizar carbono, cura em horas e reduz drasticamente emissões

Pesquisadores do Worcester Polytechnic Institute (WPI) desenvolveram um novo material de construção capaz de remover mais dióxido de carbono da atmosfera do que emitir durante sua produção. A inovação foi apresentada no estudo “Carbon-Negative Building Material Developed at Worcester Polytechnic Institute Published in Matter”, publicado na revista científica Matter, e aponta uma alternativa mais limpa, rápida e sustentável ao concreto tradicional.

Batizado de enzymatic structural material (ESM), o material é produzido por meio de um processo bioinspirado e de baixo consumo energético, que utiliza uma enzima capaz de converter CO₂ em partículas minerais sólidas. Esses minerais passam a integrar a própria estrutura do material, permitindo que o material seja moldado em componentes construtivos e cure em poucas horas — em contraste com o concreto convencional, que exige altas temperaturas e semanas para atingir resistência total.


A pesquisa foi liderada por Nima Rahbar, professor e chefe do Departamento de Engenharia Civil, Ambiental e Arquitetônica do WPI. Segundo o pesquisador, o impacto ambiental da inovação é significativo.

O concreto é o material de construção mais utilizado no planeta, e sua produção responde por quase 8% das emissões globais de CO₂”, afirmou Rahbar. “O que nossa equipe desenvolveu é uma alternativa prática e escalável que não apenas reduz emissões — ela captura carbono. A produção de um único metro cúbico de ESM sequestra mais de seis quilos de CO₂, em comparação com os cerca de 330 quilos emitidos pelo concreto convencional.”

Além de capturar carbono, o ESM apresenta resistência ajustável, durabilidade, possibilidade de reparo e reciclagem total, o que amplia seu potencial de aplicação em projetos reais, como painéis estruturais, coberturas, paredes e sistemas modulares. A capacidade de reparo, segundo os pesquisadores, pode reduzir custos de longo prazo e diminuir significativamente o volume de resíduos enviados a aterros.

Se mesmo uma fração da construção global migrar para materiais carbono-negativos como o ESM, o impacto pode ser enorme”, acrescentou Rahbar.

O material também é apontado como promissor para habitação de interesse social, infraestrutura resiliente às mudanças climáticas e reconstrução pós-desastres, onde soluções leves, rápidas e de baixo impacto ambiental são decisivas. Por utilizar processos de baixa energia e insumos biológicos renováveis, o ESM se alinha a estratégias globais de neutralidade de carbono e economia circular.

Embora ainda esteja em fase de pesquisa, o avanço reforça o papel da ciência de materiais no esforço global para reduzir emissões e transformar o setor da construção em parte ativa da solução climática.

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