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Nobel no deserto; xixi, estrume e cerveja; B3 sustentável

Da redação
1 de março de 2026

Boletim de MONEY REPORT sobre questões ambientais, sociais e de governança no mundo dos negócios


ONU alerta para falência hídrica global

Um novo relatório da Universidade das Nações Unidas (UNU), por meio do seu Institute for Water, Environment and Health (UNU-INWEH), afirma que o planeta entrou em uma era de falência hídrica, na qual diversos sistemas de água já não conseguem retornar aos níveis históricos de disponibilidade. Esse cenário reforça a necessidade de soluções estruturais como o reuso de água para garantir segurança hídrica.

No estudo Global Water Bankruptcy: Living Beyond Our Hydrological Means in the Post-Crisis Era, a UNU-INWEH afirma que “o mundo ultrapassou uma crise hídrica e entrou em um estado de falência hídrica global”. O documento indica que a escassez deixou de ser um evento pontual para se tornar uma condição estrutural em várias regiões.

O estudo afirma que “as sociedades retiraram mais água do que o clima e a hidrologia podem fornecer de forma confiável” e alerta que, “em grande parte do mundo, o ‘normal’ deixou de existir”. Segundo os pesquisadores, os sistemas hídricos poderão não retornar aos seus patamares históricos.

Diante desse cenário, o relatório defende três movimentos: reduzir e reequilibrar a demanda em setores intensivos em água, proteger e buscar restaurar o capital natural hídrico – como rios, aquíferos e áreas úmidas — e abandonar a lógica de gestão de crises pontuais para adotar uma gestão de longo prazo baseada em limites reais de disponibilidade. A íntegra do relatório da UNU.

Nobel palestino tira água do ar do deserto

Prêmio Nobel de Química de 2025 pelo desenvolvimento de estruturas metalorgânicas, Omar M. Yaghi (no destaque) fundou a empresa de tecnologia Atoco em busca de soluções para problemas decorrentes de graves estiagens e crises climáticas que interrompem o fornecimento regular de água potável. Por meio da química reticular, desenvolveu um sistema que captura umidade mesmo no ar seco de desertos. A partir daí, desenvolveu uma estrutura de captação capaz de operar em um contêiner alimentado por painéis solares de baixo custo, o que permite atuar em áreas com infraestrutura precária ou inexistente. Cada equipamento padrão pode captar 1 metro cúbico de água potável por dia (uma caixa d’água de mil litros), o suficiente para abastecer com sobras mais de uma família em ritmo urbano de consumo.

Yaghi afirmou que sua invenção pode mudar o mundo e beneficiar locais isolados, como ilhas do Caribe propensas à secas e furacões e comunidades em áreas desérticas de países pobres da Ásia e África. O vencedor do Nobel conhece bem o problema. Palestino, nasceu e cresceu em um campo de refugiados na Jordânia, onde a água só chegava em caminhões-pipa a cada uma ou duas semanas. “Em relação ao clima, a hora da ação coletiva já chegou. A ciência já comprovou isso. O que precisamos agora é de coragem”, disse. Com cidadania estadunidense, ele é professor da Universidade da Califórnia, Berkeley, diretor do Berkeley Global Science Institute, codiretor do Kavli Energy NanoSciences Institute, do Lawrence Berkeley National Laboratory e da California Research Alliance, da Basf.

Um dia você tomará cerveja de urina – sem reclamar

Um sistema de tratamento de dejetos desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) consegue transformar fezes e urina de porcos em água potável. A qualidade da água já foi testada até na produção de cerveja artesanal. O objetivo não é mudar o gosto da cerveja cotidiana, mas evitar que dejetos pecuários poluam rios, o que baratearia a captação e o tratamento de água.

De acordo com a Embrapa, o Sistema de Tratamento de Efluentes da Suinocultura (Sistrates) já é adotada por alguns criadores de suínos. Nas fazendas, essa água tratada não é destinada ao consumo humano. Vai para faxina de instalações ou devolvida aos rios dentro dos padrões ambientais. Já os 40 litros de cerveja artesanal foram consumidos em eventos científicos e aprovados pelos pesquisadores.

O que MR publicou

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Como enfrentar o calor no trabalho pesado

Dados climáticos recentes mostram que o Brasil enfrentou temperaturas extremas nos últimos anos. A maior temperatura oficial já registrada no Brasil é de 44,8°C, observada em Araçuaí (MG) em 19 de novembro de 2023, superando marcas anteriores de 44,8°C em Nova Maringá (MT) em 2020 e 44,7°C em Bom Jesus (PI) em 2005. Essas medições são validadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Além disso, a média anual de temperaturas em 2024 foi de 25,02 °C, a mais alta já registrada no Brasil desde o início das medições em 1961, com 0,79 °C acima da média histórica de 1991-2020, indicando uma forte tendência de aquecimento nacional.

Diante desta realidade, como fica o trabalho nas ruas? O calor deve ser reconhecido como um risco ocupacional estrutural e permanente, com impactos na saúde, na segurança, na produtividade e na conformidade regulatória das empresas. Para orientar dirigentes foi lançado no sábado (28), na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), o guia Mudança do clima: calor e saúde do trabalhador – Guia prático para empresas. A publicação fez parte do evento Calor e saúde do trabalhador: construindo resiliência empresarial em um mundo mais quente, iniciativa do Instituto Ar e do Movimento Médicos pelo Clima, em parceria com a FMUSP e a Associação Paulista de Medicina do Trabalho (APMT), com apoio do Instituto Itaúsa.

Dinheiro inutilizado é reciclado na Casa da Moeda

O Instituto Tran$forma implementou o projeto que captura parte das cerca de 200 toneladas anuais de cédulas descartadas pela Casa da Moeda por erros de impressão, corte ou outros defeitos. O papel-moeda é transformado em matéria-prima para móveis, objetos de decoração e arte utilitária, colocando em prática um dos maiores desafios da economia circular no país. As notas são fabricadas com fibras de algodão e agentes químicos que conferem resistência e durabilidade superiores ao papel comum, qualidades que se traduzem em produtos robustos após sua transformação. “Vimos no resíduo uma oportunidade, não só de reduzir o impacto ambiental desses papéis, mas de criar produtos que tenham significado e propósito pedagógico”, explica Patrício Mariano Malvezzi, CEO da Equipa Group, fundador do Tran$forma.

B3 entra no  Sustainability Yearbook da S&P Global

A Bolsa de Valores de São Paulo entrou pela primeira vez no Sustainability Yearbook, publicação da S&P Global que reconhece anualmente as empresas com desempenho de destaque em sustentabilidade corporativa no mundo. Com 70 pontos obtidos no Corporate Sustainability Assessment (CSA) em 10 de outubro de 2025, uma evolução de 14 pontos em relação ao ano anterior, a B3 se posiciona entre as empresas melhor avaliadas do setor de Mercado de Capitais e Serviços Financeiros Diversos, alcançando o top 3% entre todas as empresas que receberam score CSA desse setor.
 

Para Janaína Vilella, diretora de Comunicação e Sustentabilidade da B3, o reconhecimento reflete a integração da sustentabilidade ao modelo de negócio da bolsa. “Metodologias como o CSA são utilizadas como bússola para identificar os principais pontos de melhoria em nossa atuação e implementar junto com as equipes responsáveis planos de ação que aprimorem nossas práticas”, disse. Além da B3 outras 27 companhias brasileiras integram a edição.
 

Heineken investem R$ 10 mi no Aquífero Beberibe (PE)

O Grupo Heineken investe R$ 10 milhões na restauração florestal em 35 municípios localizados na área de recarga do Aquífero Beberibe, em Pernambuco. Uma chamada pública ficará aberta até 19h de 6 de março selecionará até três projetos apresentados por instituições sem fins lucrativos com pelo menos dois anos de atuação, como associações civis, fundações privadas e cooperativas. A iniciativa integra o Floresta Viva, programa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) voltado à restauração ecológica nos biomas brasileiros e será gerenciada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). Os recursos virão da Heineken.

Localizada em zona de transição entre Mata Atlântica e Caatinga, o Aquífero Beberibe é uma das principais reservas hídricas subterrâneas do Nordeste brasileiro e desempenha papel estratégico no abastecimento de milhões de pessoas. Segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a reserva é responsável pelo abastecimento das regiões metropolitanas do Recife (PE) e de João Pessoa (PB).

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