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No lugar do plástico; F1 sustentável; 30% de mulheres nos conselhos

Da redação
27 de julho de 2025

Boletim de MONEY REPORT sobre questões ambientais, sociais e de governança no mundo dos negócios

Novo supermaterial biodegradável pode substituir plástico

Cientistas das universidades Rice e de Houston criaram um novo material biodegradável a partir de celulose bacteriana, com resistência comparável à de metais e vidros, mas com a flexibilidade do plástico e sem provocar danos ambientais. Utilizando um biorreator rotativo, alinharam em tempo real as nanofibrilas de celulose durante a produção, criando folhas altamente resistentes e multifuncionais. Ao incorporar nanopelículas de nitreto de boro, aumentaram ainda mais a resistência (até 553 MPa) e a dissipação térmica. Escalável e sustentável, o processo pode revolucionar setores como embalagens, eletrônicos, têxteis e armazenamento de energia, oferecendo uma alternativa aos plásticos convencionais.

Planeta entra no cheque especial ambiental

Nesta quinta-feira (23), o mundo atingiu o Earth Overshoot Day do ano, data em que todos os recursos naturais disponíveis para 2025 já foram consumidos. Segundo a Global Footprint Network, a humanidade usa a natureza 1,8 vezes mais rápido do que a Terra consegue se regenerar, entrando no que pode ser chamado de “cheque especial ambiental” pelos próximos meses. O uso excessivo de recursos e emissões de CO₂ agrava crises ecológicas, econômicas e sociais. Ambientalistas alertam para a urgência de mudanças sistêmicas e defendem uma economia baseada no bem-estar, respeitando os limites do planeta e garantindo justiça intergeracional.

Brasil é o 48o em filantropia

O World Giving Report 2025, divulgado pela Charities Aid Foundation (CAF) traz pela primeira vez um indicador que mede a generosidade dos países pela proporção da renda destinada a doações. O Brasil aparece na 48ª posição, com 0,93% da renda média dedicada às causas sociais, acima da média sul-americana de 0,73%. A pesquisa ouviu mais de 50 mil pessoas em 101 países e aponta que os mais pobres doam proporcionalmente mais (1,45% da renda) que os ricos (0,7%). A Nigéria lidera o ranking com 2,83%. O estudo também destaca que a confiança nas organizações e o estímulo governamental são fundamentais para aumentar a filantropia. No Brasil, a preferência é por organizações locais e nacionais, com níveis de confiança acima da média global e ainda com espaço para crescimento.

Gerando Falcões expande microcrédito às mulheres

A ONG Gerando Falcões lança nova fase do programa Asmara, que oferece microcrédito em produtos e aposta em “ligas solidárias” de mulheres para estimular o empreendedorismo feminino em favelas. Inspirado em modelos de Bangladesh e Paraguai, o novo formato reduziu a inadimplência de 30% para 1% em projeto piloto com 100 participantes em São Paulo. A organização agora quer dobrar o número de beneficiadas e ultrapassar R$ 3,5 milhões em receita em 2024. O programa fornece treinamento, produtos para venda e apoio via app, sem custo para as participantes.

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Natura conquista nota máxima em clima pelo CDPa

A certificadora ambiental global CDP Clima deu nota A para Natura em 2025. A empresa foi destaque entre mais de 21 mil — apenas 2% alcançaram o mesmo nível. Foi a única brasileira do setor de cosméticos a conquistar a pontuação máxima, reconhecida também pelo engajamento com fornecedores. A Natura foi destacada por práticas como a Aliança Regenerativa e projetos de biometano em sua fábrica. O CDP avalia ações empresariais diante das mudanças climáticas com foco em governança, metas net zero e cadeia de valor.

Lula sanciona cota de 30% para mulheres em estatais

O presidente Lula sancionou a lei que estabelece cota mínima de 30% para mulheres nos conselhos de administração de estatais, incluindo reserva para mulheres negras ou com deficiência. A medida será implementada gradualmente ao longo dos próximo três anos: 10% no primeiro, 20% no segundo e 30% no terceiro. Aprovada em junho pelo Senado, a proposta é de autoria da deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Empresas que não cumprirem os percentuais terão novas indicações bloqueadas. A política será revisada após 20 anos.

70 espécies ameaçadas são encontradas em áreas da Klabin

Produtora de papéis e celulose, a Klabin registrou 2.917 espécies de fauna e flora em suas florestas plantadas e nativas, incluindo 70 ameaçadas de extinção, segundo seu Relatório de Sustentabilidade 2024. Com mais de 900 mil hectares, a companhia preserva 41% de mata nativa e adota o plantio em mosaico, criando corredores ecológicos que favorecem a biodiversidade. A empresa criou um projeto de reintrodução de aves ameaçadas, como a jacutinga e o papagaio-de-peito-roxo, que ganham anilhas para monitoramento via satélite. A empresa fortaleceu a governança ambiental ao publicar um plano de conservação alinhado ao Grupo de Trabalho para Divulgações Financeiras Relacionadas à Natureza (na sigla em inglês, TNFD) e atrelar metas à remuneração de gestores.

F1 ruma à neutralidade com novos combustíveis e logística

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA), que controla e organiza as competições de Fórmula 1, traçou um plano ambicioso para atingir a neutralidade de carbono até 2030, reduzindo em 26% suas emissões líquidas em 2024 em relação a 2018. Entre as ações estão a transição para energia renovável em fábricas das equipes, uso de combustíveis sustentáveis na aviação corporativa e adoção de transmissões remotas para cortar viagens das equipes de mídia. O calendário foi ajustado para otimizar rotas e reduzir deslocamentos, enquanto a próxima temporada marcará a estreia de combustíveis sustentáveis nos carros de competição. A FIA também investe em logística mais eficiente, incluindo frete marítimo, para diminuir seu impacto ambiental e liderar uma transformação verde no esporte.

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Curso prepara comunicadores para a COP30 na Amazônia

Estão abertas as inscrições para o curso online Vozes do Bioma: Estratégias de Comunicação para a COP30, iniciativa da Feira Preta com apoio da Fundação Ford. Voltada a comunicadores populares, jornalistas e coletivos periféricos, a formação propõe uma abordagem baseada na comunicação ancestral para fortalecer as formas de atingir os participantes da conferência ambiental da Nações Unidas, que ocorrerá em novembro de 2025, em Belém. Com 8 horas de conteúdo ao vivo e gravado, o curso abordará estratégias contra greenwashing, escuta ativa e narrativas territoriais. As inscrições estão abertas e podem ser feitas em: pretahub.rds.land/bioma-vozes-bioma


Startup avança para ressuscitar ave gigante extinta há 600 anos

A Colossal Biosciences, startup americana avaliada em US$ 10 bilhões, está na vanguarda da desextinção ao tentar trazer de volta a moa gigante, ave terrestre de mais de três metros extinta há seis séculos na Nova Zelândia. Após sucesso em abril com a primeira desextinção do lobo-terrível, a empresa usa edição genética em animais geneticamente próximos da moa, como a ema sul-americana. Financiada com mais de US$ 200 milhões, a Colossal quer devolver a espécie à natureza em até uma década, apesar das críticas de cientistas preocupados com riscos ecológicos e a real necessidade do projeto em meio à crise global de biodiversidade.


ONU declara acordos climáticos obrigatórios para 198 países

Em decisão histórica, a Corte Internacional de Justiça da ONU estabeleceu que os acordos internacionais sobre mudanças climáticas, como a Convenção-Quadro da ONU e o Acordo de Paris, são legalmente obrigatórios para os 198 países membros. A medida, motivada pelo caso da nação insular Tuvalu, ameaçada de submersão total pelo aumento do nível do mar, permite responsabilizar juridicamente países que não cumprirem metas de redução de emissões ou falharem na proteção ambiental. O tribunal reconheceu a crise climática como uma ameaça urgente e vinculou a agenda climática aos direitos humanos, reforçando o princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas. Países que descumprirem suas obrigações poderão sofrer penalizações legais, incluindo reparações e cessação de ações prejudiciais.

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