Boletim de MONEY REPORT sobre questões ambientais, sociais e de governança no mundo dos negócios
Ausência feminina é desinteligência artificializada
A baixa presença feminina em ocupações ligadas à inteligência artificial ameaça a diversidade e a qualidade dos desenvolvimentos e suas aplicações. Segundo Aline Lefol e Tiene Colins, autoras de IA para Negócios, fomentar lideranças femininas na área é uma questão estratégica: empresas diversas geram até 19 pontos percentuais a mais em receitas de inovação. Apesar de o setor de IA no Brasil movimentar bilhões, apenas 20% dessas vagas em tecnologia são ocupadas por mulheres. Para as autoras, sem equidade a tecnologia corre o risco de perpetuar desigualdades enquanto perpetuam vícios de gênero na construção de novas lógicas.
5 prioridades para o financiamento verde
O ministro da Economia Fernando Haddad definiu cinco prioridades para ampliar o acesso de países em desenvolvimento a recursos que atenuem o clima. Ele defende reformas de bancos multilaterais, inovação financeira e fortalecimento de marcos regulatórios. As propostas, apresentadas na pré-COP 30, em Brasília, incluem ainda um fundo permanente para florestas tropicais e a criação de um mercado de carbono integrado. Para Haddad, o Brasil deveria liderar a construção de um modelo econômico que una crescimento e sustentabilidade.
No comando, elas aumentam lucratividade e inovação

Empresas com ao menos 30% de mulheres em cargos de liderança têm até 12 vezes mais chances de figurar entre as 20% de melhor desempenho financeiro, segundo o Conference Board. O dado inspirou o encontro da W-CFO Brazil, em Belo Horizonte, promovido pela LeverPro, onde executivas de finanças discutiram o impacto da diversidade de gênero na performance corporativa. Para Maria Helena Cotta Guimarães, CFO da LeverPro, a presença feminina é um diferencial estratégico que amplia empatia, colaboração e inovação, qualidades que fortalecem culturas organizacionais.
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Vale testa locomotiva a etanol e diesel

A mineradora Vale firmou parceria com a Wabtec Corporation para desenvolver a primeira locomotiva flex do Brasil. O veículo usará uma mistura de diesel e etanol. Com testes previstos até 2027, o projeto faz parte da estratégia de descarbonização da mineradora, que busca reduzir em 33% as emissões até 2030. Após a compra de 50 locomotivas modificadas para biodiesel, a Vale assume a liderança da transição energética no transporte ferroviário nacional, amplamente baseado no diesel.
Restauração florestal pode gerar US$ 100 bi anuais aos países tropicais
Um estudo do Climate Policy Initiative, ligado à PUC-Rio, propõe o Mecanismo de Reversão de Desmatamento (RDM), modelo de pagamento por resultados que pode gerar até US$ 100 bilhões por ano para países tropicais que recuperam suas florestas. O trabalho delineia incentivos financeiros para restaurar áreas degradadas que podem remover da atmosfera até 2 GtCO₂ anuais (dois bilhões de toneladas de dióxido de carbono). Na Amazônia, o RDM poderia converter 16 GtCO₂ de emissões em 18 GtCO₂ de captura, somando US$ 30 bilhões por ano em receitas de créditos de carbono e benefícios econômicos locais. Segundo o diretor do CPI, Juliano Assunção, a restauração em larga escala é hoje mais rentável que a pecuária extensiva de baixa produtividade, além de essencial para a adaptação climática global
Resort inspirado na Amazônia com design biofílico em SC

Em construção no município de Penha (SC), o Amazon Parques & Resorts une arquitetura sustentável e temática amazônica em um projeto de multipropriedade ao lado do Beto Carrero World. O empreendimento incorpora espécies nativas, como vitórias-régias e açaizeiros, e adota práticas como captação de água da chuva, irrigação automatizada e energia solar. Segundo o CEO Roberto Kwon, o objetivo é transformar o paisagismo em parte da experiência sensorial e do compromisso ambiental. Com o avanço do mercado de multipropriedade no Sul do país, o resort simboliza a nova fase do turismo brasileiro: ecológico, imersivo e de alto padrão.
Rhodia e Veolia atingem 94% de reúso de água
Em Santo André, no ABC Paulista, a petroquímica Rhodia consegue reutilizar 94% de sua água industrial, economizando anualmente o equivalente a 133 piscinas olímpicas. A operação de reúso é da Veolia, por meio de um contrato de dez anos. A estação de tratamento de efluentes foi transformada em um sistema de recuperação de água quase eliminando a captação externa. Segundo as empresas, a iniciativa reforça a aplicação da economia circular e mostra que desempenho industrial e sustentabilidade podem avançar lado a lado.
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Calor extremo exige ações urgentes

Com a chegada do verão, a sensação térmica podendo atingir 70°C em determinados períodos do dia em algumas regiões. Para evitar acidentes, o setor industrial precisa reforçar medidas de proteção aos trabalhadores. O calor excessivo aumenta riscos de fadiga, desidratação e acidentes, além de gerar perdas econômicas globais estimadas em US$ 361 bilhões por falta de adaptação. Especialistas recomendam monitorar temperatura e umidade, garantir hidratação, organizar pausas e ajustar a carga de trabalho conforme o clima. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) acompanha os estudos e se prepara para emitir recomendações específicas.
1% da receita da SME para educação empreendedora
A SME The New Economy anunciou adesão ao Compromisso 1%, iniciativa do IDIS e do Instituto MOL, comprometendo-se a doar 1% de sua receita líquida para ações de impacto social. Com previsão de faturar R$ 100 milhões em 2025, a empresa se junta a nomes como Cyrela, PwC e RD Saúde no esforço de institucionalizar a filantropia corporativa. Segundo o CEO Theo Braga, o movimento reflete uma nova visão de negócios, em que prosperar também significa devolver à sociedade. A SME, que já impactou mais de 100 mil empresários, pretende ampliar sua atuação em educação e empreendedorismo.
BNDES de olho em projetos do Fundo Clima
Durante a Pré-COP30, em Brasília, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentou uma plataforma pública que permitirá acompanhar em tempo real os projetos financiados pelo Novo Fundo Clima, o maior fundo climático do Sul Global. Segundo o diretor Nelson Barbosa, o banco já aprovou R$ 19 bilhões em crédito entre 2023 e 2025, destinados a iniciativas de transição energética, mobilidade verde, reflorestamento e indústria sustentável. O presidente Aloizio Mercadante destacou que a retomada do fundo no governo Lula representa um marco na descarbonização e reforça o compromisso do país com um desenvolvimento que combina crescimento, inclusão e proteção ambiental.
