Boletim de MONEY REPORT sobre questões ambientais, sociais e de governança no mundo dos negócios
Novos fundos podem atingir R$ 18 bilhões
O BNDES anunciou edital para investir até R$ 5 bilhões em fundos voltados à descarbonização, transição energética, adaptação climática, agricultura verde e conservação ambiental, com expectativa de atrair outros R$ 13 bilhões da iniciativa privada, totalizando R$ 18 bilhões. A chamada pública, a maior já feita pelo banco, prevê seleção de até cinco fundos de equity e dois de crédito, com propostas abertas até 20 de outubro e resultado em janeiro de 2026. Segundo o presidente Aloizio Mercadante, a iniciativa reforça o papel do banco como investidor-âncora na agenda climática e sustentável.
Simpress cresce com economia circular e fatura R$ 1,7 bi

Especializada em aluguel de eletrônicos, a Simpress ampliou sua estratégia de economia circular com a inauguração de um centro de remanufatura em São Paulo. A unidade é capaz de processar 1,7 mil equipamentos por dia. A iniciativa dá nova vida a notebooks e smartphones, reduzindo o impacto ambiental em um país que ocupa a 5ª posição mundial na geração de lixo eletrônico. Em 2024, o reaproveitamento de dispositivos cresceu 87,6% e ajudou a empresa a alcançar faturamento recorde de R$ 1,7 bilhão, consolidando a sustentabilidade tecnológica como diferencial competitivo.
Fundos sustentáveis crescem 48%, mas ainda têm participação tímida
Conforme dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), os fundos de investimento sustentável (IS) no Brasil registraram patrimônio líquido de R$ 36,8 bilhões em julho de 2025. A alta de 48,4% ante dezembro de 2024 foi impulsionada principalmente por fundos de renda fixa e emissão de títulos verdes. Apesar do crescimento expressivo, representam apenas 0,37% do total do setor, mantendo-se como nicho. Cerca de 72% dos fundos IS têm foco ambiental, mas especialistas apontam necessidade de maior atenção à pauta social, destacando que o segmento ainda enfrenta desafios de letramento e consolidação de históricos de risco e retorno.
Eletrificação de caminhões pode economizar R$ 5 bi ao Brasil

Pesquisa do Instituto Ar mostra que a eletrificação da frota de caminhões pesados no Brasil é mais vantajosa comparada ao biodiesel, podendo reduzir em 46% as emissões de gases de efeito estufa e gerar economia de R$ 5 bilhões em custos ambientais e de saúde até 2050. O estudo alerta que, ao contrário da percepção comum, biocombustíveis e gás natural podem até aumentar as emissões líquidas, além de demandar expansões de terras agrícolas e do desmatamento. Já os veículos elétricos se apresentam como a alternativa mais eficiente para descarbonizar o transporte rodoviário, responsável por quase metade das emissões do setor em 2024.
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Setembro Amarelo destaca saúde mental nas empresas

Este ano a campanha Setembro Amarelo reforça a urgência de colocar a saúde mental como prioridade nas organizações, já que a depressão é a principal causa de afastamento do trabalho no mundo. Mais de 1 milhão de casos foram registrados no Brasil em 10 anos. Para o especialista Alexandre Slivnik, ambientes de escuta e acolhimento fortalecem vínculos, aumentam o engajamento e refletem na qualidade do atendimento aos clientes. Estudos mostram que programas de bem-estar podem gerar retorno de até quatro vezes o valor investido, além de reduzir turnover e elevar a produtividade, tornando a cultura humanizada um diferencial competitivo.
Brasil concentra 20% do potencial global de reflorestamento
Estudo publicado na Science revela que o mundo dispõe de 389 milhões de hectares (3,89 milhões de quilômetros quadrados, mais que o território da Índia) para reflorestamento e restauração de florestas, área capaz de captar até 39,9 gigatoneladas de carbono até 2050. A América Latina lidera em potencial. Sozinho o Brasil reúne um quinto dessa área total (778 mil km3, o que quase equivale ao território da Turquia), o que reforça seu papel estratégico na mitigação das mudanças climáticas. Os pesquisadores alertam, porém, que a regeneração deve ser feita com cautela para evitar impactos na biodiversidade, na segurança alimentar e no uso da água, além de destacar que proteger as florestas já existentes pode evitar emissões muito maiores do que o plantio de novas árvores.
Sephora lança programa para pessoas com deficiência

A rede mundial de cosméticos Sephora lançou no Brasil o Beleza Sem Barreiras, programa que combina contratação e desenvolvimento profissional para pessoas com deficiência, oferecendo 35 vagas em 28 cidades. Com processo estruturado em quatro etapas — incluindo entrevistas inclusivas, treinamentos certificados e experiências nas lojas —, a iniciativa promove representatividade e acessibilidade, além de mentoria com lideranças da empresa e conteúdo para fortalecer currículos. Mesmo candidatos não selecionados poderão ser indicados como talentos acelerados para empresas do Grupo LVMH e parceiros, reafirmando o compromisso da marca com diversidade, inclusão e protagonismo no varejo de beleza de luxo.
Mosaic mantém agenda verde no Brasil apesar de restrições de Trump

Mesmo sob limitações impostas pelo governo Trump, que proíbe o uso do termo “mudança climática” em território americano, a Mosaic segue ampliando sua estratégia de sustentabilidade no Brasil, país que já responde por um terço de seus negócios globais. A vice-presidente Jenny Wang (imagem) afirmou, em entrevista à Exame, que a companhia aposta na agricultura regenerativa e em soluções biológicas para reduzir impactos ambientais e aumentar a produtividade, destacando que o Brasil é o único mercado com potencial de crescimento acelerado no setor agrícola. Além de parcerias com Bayer e Cargill, a empresa confirmou presença na COP30, em Belém, reforçando seu compromisso internacional de combate à crise climática.
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Alemanha supera meta de redução de carvão com três anos de antecedência

Principal economia da Europa, a Alemanha atingiu antecipadamente sua meta de redução da geração de energia a carvão, cortando mais de 8,7 GW, 10% acima do previsto para 2028, e descartou fechar usinas pelo segundo ano consecutivo. Apesar do avanço, o país ainda lidera emissões de carbono na União Europeia e mantém forte dependência do carvão, enquanto quase dois terços da eletricidade já vêm de fontes renováveis. O plano de transição energética prevê o fim gradual do carvão até 2038, conciliando desativação de usinas menores e preservação de empregos em grandes instalações de lignito.
Schneider Electric e Steck lançam iniciativa social energética para habitação e construção
A Schneider Electric e a Steck anunciaram uma política social voltada às organizações do terceiro setor, (ONGs), oferecendo condições especiais para aquisição de soluções elétricas seguras e sustentáveis em projetos de habitação e construção civil. A iniciativa quer melhorar a vida em comunidades vulneráveis, reforçando o compromisso das empresas com a agenda ESG e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Nações Unidas. Com ações conjuntas, as companhias pretendem beneficiar milhares de famílias brasileiras, promovendo inclusão, eficiência energética e impacto social positivo.
Grupo Krona transforma resíduos em impacto social

Em 2024, o Grupo Krona reciclou mais de 900 toneladas de resíduos em suas operações e destinou cerca de R$ 381 mil obtidos com a venda para projetos do Instituto Krona, que atuam em áreas como educação, cultura, sustentabilidade, esporte e inclusão. A iniciativa integra o programa contínuo de coleta seletiva da companhia, reforçando o compromisso da indústria da construção civil com a mitigação de impactos ambientais e a promoção de transformação social.
Governança avança, mas enfrenta entraves
Pesquisa da PwC Brasil revela que 78,8% das empresas de capital aberto adotam pelo menos uma política de gestão de riscos aprovada pelo conselho, um salto em relação a 54,6% em 2020. Embora a implementação e avaliação periódica das políticas também tenham crescido, o avanço total é limitado: apenas quatro companhias seguem todas as práticas do Código Brasileiro de Governança Corporativa. Especialistas apontam que a adoção das normas mais complexas enfrenta barreiras relacionadas a direitos de acionistas, assembleias e custos adicionais.
