Boletim de MONEY REPORT sobre questões ambientais, sociais e de governança no mundo dos negócios
Davos sem pauta climática
Donald Trump impôs que discussões sobre clima fossem excluídas de reuniões bilaterais e compromissos oficiais ligados à sua participação no Fórum Econômico Mundial, em Davos, segundo informações atribuídas a fontes diplomáticas. A decisão influenciou a comitiva brasileira, com o cancelamento da viagem da ministra Marina Silva e a desistência do embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30. O episódio acontece em meio a mudanças no posicionamento do evento, com menor destaque institucional para linguagem associada à sustentabilidade.
Groenlândia na mira

O avanço do degelo no Ártico, ligado ao aquecimento global, aumentou o interesse na Groenlândia por facilitar o acesso a minerais críticos, como terras raras, e por abrir rotas marítimas mais curtas entre Ásia e Europa. O tema ganhou destaque após declarações de Trump sobre segurança estratégica, em um cenário de disputa envolvendo também China e Rússia. Apesar do potencial geológico, especialistas apontam limites operacionais, como infraestrutura precária, clima extremo e mineração restrita a períodos do ano.
WWF pede “fim dos fósseis”
O WWF-Brasil entregou ao governo federal 31 recomendações para orientar o roteiro nacional de redução gradual dos combustíveis fósseis, previsto para ser apresentado até a COP31, na Turquia. Entre as propostas estão condicionantes para novos leilões e licenças de petróleo, além de análise de projetos conforme metas climáticas, com ressalvas a novas fronteiras como a Foz do Amazonas. A entidade também aponta riscos econômicos de ativos de petróleo e gás perderem valor em cenários alinhados à meta de 1,5°C.
Rumo aposta em trem híbrido

A Rumo investe em eficiência operacional e tecnologias de automação para reduzir em 21% suas emissões específicas até 2030, considerando a base de 2020. A estratégia inclui trens maiores, sistemas embarcados de monitoramento e operação semiautônoma para otimizar consumo de combustível. Com financiamento de R$ 350 milhões do BNDES via Fundo Clima, a empresa prevê comprar seis locomotivas híbridas e 160 vagões-tanque para ampliar o transporte de biocombustíveis, com estimativa de reduzir 62,3 mil toneladas de CO₂ por ano.
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Unicamp terá luz inteligente

A Unicamp iniciou um projeto de iluminação conectada à Internet das Coisas (IoT), em parceria com a TIM, com previsão de reduzir em até 70% o consumo de energia no campus de Campinas. O plano inclui mais de 2.600 pontos com luminárias LED e sensores, além de telegestão para controle remoto e medição em tempo real do gasto energético. A universidade afirma que a iniciativa pode servir de modelo para outras instituições e municípios.
Solar Vale vai contratar
A Solar Vale, empresa de energia solar de Santa Catarina, projeta expansão até o fim de 2026 com abertura de quatro novas unidades no estado e contratação de cerca de 300 colaboradores. A companhia afirma ter alcançado 7 mil sistemas instalados em 2025 e aposta no avanço da geração distribuída para residências, comércios, indústrias e propriedades rurais. O movimento ocorre em um cenário de crescimento da energia solar no Brasil, que já soma mais de 62 GW de capacidade instalada.
Startups climáticas crescem

Startups voltadas à crise climática ganham espaço na América Latina, com foco em agro, alimentos e economia circular, embora a região ainda receba uma fatia pequena do investimento global do setor. Levantamento citado durante a preparação para a COP30 indica que o mercado pode atrair cerca de US$ 80 bilhões até 2029, mas apenas 4% deve chegar à América Latina e África. No Brasil, dados do setor apontam aumento de investimentos e expansão de incubadoras e aceleradoras, impulsionadas pela busca de soluções escaláveis com impacto mensurável.
Assaí quer aterro quase zero
O Assaí fixou a meta de reciclar e reaproveitar 90% dos resíduos até 2035, reduzindo o envio a aterros para menos de 10% do total gerado em 312 lojas e 12 centros de distribuição. A empresa aposta em estratégias adaptadas por região, com triagem de materiais, compostagem, pontos de entrega voluntária e tecnologias como biodigestores, além de incentivos ao consumidor para devolução de resíduos. A companhia também mantém programas de doação de alimentos e metas ligadas à gestão interna.
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COP15 terá Capobianco

João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, foi escolhido para presidir a COP15 sobre espécies migratórias, marcada para 23 a 29 de março, em Campo Grande (MS). O encontro vai reunir governos, cientistas, povos indígenas e sociedade civil para negociar medidas de proteção de espécies que cruzam fronteiras e dependem de habitats preservados para alimentação, descanso e reprodução. Será a primeira vez que o Brasil recebe a conferência, sediada em uma área considerada estratégica pela biodiversidade do Pantanal.
Edital para terras indígenas
O edital Floresta Viva – Terras Indígenas prorrogou as inscrições até 27 de fevereiro para projetos de restauração ecológica em territórios indígenas. Serão investidos R$ 8,8 milhões e até quatro iniciativas devem ser selecionadas em Mato Grosso, Tocantins e Maranhão, com foco em recuperação ambiental associada ao fortalecimento social e econômico das comunidades. O Funbio é responsável pela gestão da chamada, financiada por Fundação Bunge, Agrícola Alvorada e BNDES.
DNA de peixes amazônicos

A UFPA concluiu um estudo inédito que decifrou os genomas do pirarucu e do filhote, espécies amazônicas com alta demanda comercial e dificuldades de reprodução em piscicultura. A pesquisa pretende apoiar produção mais sustentável, reduzir pressão sobre estoques naturais e permitir rastreabilidade genética para identificar origem e coibir comércio ilegal. As informações foram registradas em banco público, permitindo novos estudos e aplicação em políticas de conservação.
Restauração e crédito na Amazônia
O BNDES e a Petrobras receberam 16 propostas para o ProFloresta+, iniciativa que prevê compra de créditos de carbono gerados por projetos de restauração com espécies nativas no bioma amazônico. Segundo o banco, o programa pode restaurar até 50 mil hectares, gerar cerca de 15 milhões de créditos e mobilizar mais de R$ 1,5 bilhão em investimentos. As propostas estão em fase de avaliação técnica e socioambiental, e o resultado deve sair no primeiro semestre de 2026.
