Boletim de MONEY REPORT sobre questões ambientais, sociais e de governança no mundo dos negócios
Empresas ampliam ações pela qualidade de vida
O número de empresas que adotam práticas estruturadas de saúde e bem-estar cresceu 85,71% entre 2022 e 2025, segundo dados compilados pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV). Das 113 companhias avaliadas neste ano, 41 atingiram a pontuação mínima para serem analisadas — um sinal de maior adesão a programas corporativos voltados à qualidade de vida.
Principais movimentos
- Expansão das práticas: empresas de diferentes portes incorporam ações de saúde, ergonomia, segurança, apoio psicossocial e políticas de prevenção.
- Alcance ampliado: entre as avaliadas, 11 organizações têm mais de 10 mil funcionários e 23 contam com mais de 500, indicando que programas de bem-estar já fazem parte da rotina de grandes corporações.
- Maturidade ainda restrita: apenas 8,85% atingiram mais de 90% dos critérios avaliados, mostrando que poucas possuem ações plenamente consolidadas.
A avaliação aponta que iniciativas de bem-estar avançam em escala, mas ainda há espaço de sobra para elevar a qualidade e a consistência das políticas voltadas à saúde dos trabalhadores.
37% dos processos de mineração têm irregularidades

Um levantamento do Monitor da Mineração do MapBiomas aponta que 37% dos 257.591 processos minerários ativos no Brasil apresentam algum tipo de irregularidade — são 95.740 registros com inconsistências, principalmente por falta de permissão válida para operar. Lançada na terça-feira (2), a plataforma reúne oito décadas de dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) e cruza informações com mapas anuais de uso da terra. Entre os problemas detectados, 3% dos processos atuam em áreas onde a atividade é proibida, como terras indígenas e unidades de conservação, e outros 3.536 acumulam mais de um tipo de irregularidade. Minas Gerais, Bahia e Pará concentram o maior volume de processos. A Bahia lidera em inconsistências e o Pará registra os maiores percentuais de falhas temporais e atividades fora dos limites autorizados. O monitor também indica que 56,4% dos processos obrigados a recolher a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) estão inadimplentes. Segundo o coordenador César Diniz, a ferramenta facilita a identificação de irregularidades e reforça a transparência para fiscalização e políticas públicas.
Rejeito de bauxita vira insumo para concreto
A Mineração Paragominas, da Hydro, desenvolveu um concreto que substitui 35% do cimento por rejeito de bauxita, reduzindo a pegada de carbono associada ao material. Mais de 40 mil blocos produzidos com a tecnologia já foram doados para obras em Paragominas, no Pará, em linha com pesquisas feitas em parceria com a USP e a Alunorte.
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Leilão de baterias e risco de perda de escala

O primeiro leilão de baterias do Brasil, previsto para abril de 2026, pode movimentar cerca de R$ 4 bilhões em um projeto de 1 GWh de armazenamento, segundo a Clean Energy Latin America (Cela). Especialistas alertam que, sem volume adequado e integração com outras fontes, o leilão pode não viabilizar uma cadeia industrial nacional de armazenamento, apesar do crescimento acelerado do setor e da queda de custos dos sistemas de baterias.
Data centers, IA e consumo de energia no Brasil
Estudo da MIT Technology Review Brasil indica que o consumo de energia de data centers no país deve subir de 1,7% para 3,9% da demanda nacional até 2029, impulsionado pela expansão da inteligência artificial e serviços em nuvem. O levantamento destaca o potencial da matriz elétrica majoritariamente renovável do Brasil, mas aponta necessidade de regulação, planejamento da rede e tecnologias mais eficientes em energia e água.
São Paulo é recorde de segurança alimentar
A cidade de São Paulo recebeu certificação do Guinness Records pelo maior programa municipal de segurança alimentar do mundo, após comprovar a distribuição de 933,8 toneladas de alimentos em 24 horas. A rede municipal inclui refeições escolares, programas de cestas básicas, restaurantes populares e cozinhas solidárias, em um contexto em que mais da metade da população paulistana está em algum grau de insegurança alimentar.
Emissões nas rodovias sobem no Brasil
Inventário nacional divulgado após dez anos mostra que as emissões de gases de efeito estufa no transporte rodoviário no Brasil cresceram 8% entre 2012 e 2024, apesar de veículos mais eficientes. Com uma frota que supera 71 milhões de unidades, os automóveis concentram boa parte das emissões. Enquanto poluentes como monóxido de carbono (CO) e material particulado caem, gases como CO2, carbono negro e óxido nitroso seguem em alta.
Lixo em ambientes aquáticos e áreas protegidas

Pesquisa da Unifesp com dados de 2013 a 2023 aponta que 46% dos ambientes aquáticos do mundo são classificados como sujos ou muito sujos, segundo o Índice Clean-Coast. Plásticos e bitucas de cigarro representam quase 80% dos resíduos, com locais em situação crítica, como os manguezais ao redor do Porto de Santos. O estudo indica que áreas protegidas tendem a ter até sete vezes menos contaminação, embora não estejam imunes à pressão do lixo.
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Tailândia vai precificar carbono
A Tailândia apresentou seu primeiro marco legal de mudanças climáticas, com previsão de sistema de comércio de emissões e novos impostos sobre carbono, ainda sujeitos à aprovação parlamentar. O país pretende reduzir em 47% suas emissões até 2035, em relação a 2019. O governo avalia taxar mais de 30 combustíveis e produtos, incluindo gasolina, diesel e gás natural liquefeito (GNL).
Trabalho para reclusos do semiaberto

O Projeto Recomeçar – Reclusos, da Direcional Engenharia em parceria com a Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais, emprega 130 pessoas em regime semiaberto em oito obras da construtora. Os participantes recebem remuneração, transporte, alimentação e têm redução de dois dias na pena por dia trabalhado, e a empresa planeja expandir o modelo para outros estados.
Consumo negro, poder econômico e discriminação
Levantamento do Instituto DataRaça e Akatu aponta que um em cada três negros no Brasil relata ter sofrido discriminação racial em espaços de consumo, incluindo lojas, shoppings e supermercados. Ao mesmo tempo, a McKinsey projeta que consumidores negros devem movimentar até US$ 1,7 trilhão globalmente nos próximos anos. Consultorias de imagem identitária defendem junto às empresas e esferas públicas o letramento racial e a autonomia narrativa como resposta aos estigmas estéticos.
Doações de Natal e Instituto SOW

Dezembro concentra de 17% e 33% das doações anuais no chamado Giving Season, com até 10% dos aportes ocorrendo nos últimos três dias do ano. No Brasil, o Instituto SOW lança o Natal SOWlidário, campanha que busca arrecadar 1,5 mil cestas básicas para famílias em situação de vulnerabilidade, com doações via Pix ou entrega presencial.
