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Agenda ESG: o papel dos jovens e a importância dos bons exemplos

Ontem, realizamos em MONEY REPORT uma maratona de debates, com seis painéis, sobre temas correlatos à agenda ESG. Num determinado momento, ouvi de Martha Leonardis, sócia do BTG Pactual, uma afirmação que me chamou a atenção: “Numa entrevista de emprego com a nova geração, você é mais entrevistado do que entrevistador”. Martha referia-se ao fato de que os mais novos querem fazer um check-list de uma determinada empresa antes de decidir se querem ser colaboradores desta companhia. As práticas ligadas à temática ESG, evidentemente, fazem parte deste questionário. Caso o candidato a empregador atingir um score meia-boca na avaliação do candidato a funcionário, nem é necessário fazer um convite – o jovem abrirá mão da oportunidade.

Há várias razões para aderir aos propósitos que defendem o meio ambiente, a inclusão social e a governança. Mas a atração de talentos parece ser um motivo que ganha corpo a cada dia. A juventude não quer participar de empresas que tratem mal a natureza, sejam insensíveis à diversidade e ignorem regras de compliance (o problema é que isso vale também para jovens que acham ser talentosos, mas não são – um assunto que provavelmente pode valer outra discussão no futuro).

Em grandes corporações multinacionais, essas regras que atraem os jovens foram muitas vezes impostas por Conselhos de Administração ou membros da diretoria – o que se chama, no mundo executivo de decisão “top-down”, ou seja, que vem de cima para baixo. Em outras, de origem familiar ou do mercado financeiro, o ponto de partida está nos acionistas controladores ou em seus fundadores. Nestes casos, o exemplo das chefias é uma ferramenta fortíssima de disseminação de cultura corporativa. Trata-se de algo que foi defendido pelo filósofo americano Ralph Waldo Emerson no século 19. Ele dizia: “Uma instituição é a sombra de seus líderes”. Essa frase, proferida há cerca de 150 anos, é mais atual do que nunca.

Essas chefias que dão exemplos ligados à pauta ESG são também as mesmas que contribuem pesadamente em ações sociais espalhadas pelo Brasil. Há inúmeros empresários que acreditam na tese de retribuir à sociedade um pouco (ou bastante) daquilo que ganharam em uma carreira de sucesso. São várias as iniciativas sociais que receberam o aporte financeiro do empresariado nos últimos anos – até preenchendo um espaço deixado pela falta de recursos do Estado.

Mas há um aspecto no comportamento desses filantropos que precisa ser discutido – a obsessão pelo comportamento discreto e a aversão pelos holofotes. Tirando as placas de agradecimento que vemos nos hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês, são poucas as famílias que colaboram com a sociedade e fazem questão de divulgar seus gestos.

Nos Estados Unidos, é comum ver grandes doadores participando de entrevistas ou divulgando ações filantrópicas. Contudo, no Brasil, falar de doações ou envolvimentos no terceiro setor parece ser algo tão feio quanto fazer sucesso.

Não deveria ser. Tomemos o caso da empresa que fica melhor pelo exemplo do dono. Na sociedade como um todo, não é tão diferente. Precisamos de brasileiros (de nascimento ou por escolha) que divulguem suas boas ações e sejam a favor da busca pela justiça social e pela dignidade dos menos favorecidos.

Talvez tenhamos um pudor excessivo sobre falar sobre nós mesmos. E possivelmente esse recato aumente de forma substancial quando há a possibilidade de contarmos aos outros uma ação de benevolência ou ajuda ao terceiro setor.

Pergunta-se: por que sentir desconforto ao revelar que se fez o bem? Por que pensamos naquilo que os outros vão achar de nós? Afinal, estamos fazendo algo que deve ser celebrado – uma ação que merece servir de exemplo aos mais jovens e à sociedade como um todo.

Precisamos romper essa barreira. Ter orgulho de ajudar o próximo. E mostrar o caminho das pedras para que os outros sejam incentivados a fazer o bem. Só assim, arregimentando um contingente enorme de pessoas, é que poderemos ajudar a suprir as carências de uma sociedade que não consegue resolver suas deficiências apenas com o dinheiro e as iniciativas do governo. É necessário ouvir histórias inspiradoras e seguir exemplos edificantes. Há vários, em silêncio, por aí. Vamos desnudá-los.

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