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Volta às aulas pesa mais no bolso em 2025

Da redação
19 de janeiro de 2026
Cesta escolar sobe 5,32% no ano e acumula alta de 39,34% em cinco anos, acima da inflação, mostra estudo da Rico

A volta às aulas voltou a pressionar o orçamento das famílias em 2025. Levantamento da Rico, plataforma de investimentos do grupo XP Inc., mostra que a chamada cesta de volta às aulas teve alta de 5,32% no ano, superando a inflação medida pelo IPCA, que ficou em 4,26% no mesmo período. No acumulado de cinco anos, entre 2021 e 2025, a diferença é ainda maior: a cesta escolar subiu 39,34%, contra 33,13% do índice geral de preços.

O estudo analisa os principais gastos concentrados no início do ano letivo, como material escolar, livros, uniformes, mensalidades e transporte. Segundo Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico e responsável pelo levantamento, o impacto é sentido logo nos primeiros meses do ano, quando essas despesas se somam a outros compromissos típicos do período, como IPTU e IPVA.

Para medir o peso real no orçamento, a Rico construiu uma cesta hipotética com uniforme escolar, educação em todas as fases, livros didáticos e não didáticos e itens de papelaria. Mesmo com alguns produtos apresentando reajustes moderados em 2025, o conjunto ficou acima do IPCA, indicando que o aperto financeiro vem da soma de aumentos concentrados em um curto espaço de tempo.

Na prática, uma cesta que custava R$ 1.000 em 2021 passou a custar cerca de R$ 1.393,40 em 2025. Se o reajuste seguisse apenas o IPCA, o valor seria aproximadamente R$ 1.331,30.

A análise por item mostra comportamentos distintos. Em 2025, a papelaria subiu 2,39%, abaixo da inflação, possivelmente influenciada por promoções e maior concorrência no varejo. No acumulado de cinco anos, porém, a alta chega a 39,64%. Entre os livros, os didáticos avançaram 4,47% no ano, em linha com o IPCA, enquanto os não didáticos subiram 6,32% em 2025 e acumulam alta de 51,96% desde 2021.

As mensalidades escolares seguem como o principal fator de pressão estrutural. No acumulado de cinco anos, os reajustes chegaram a 49,35% no ensino fundamental e 47,52% no ensino médio, muito acima da inflação geral. Uma mensalidade de R$ 1.000 em 2021 estaria hoje próxima de R$ 1.493,50, segundo os percentuais observados no estudo.

Outros gastos recorrentes também pesam. O uniforme escolar subiu 7,24% em 2025 e acumula quase 40% de alta em cinco anos. O transporte escolar teve variação de 4,23% no ano, enquanto o lanche escolar avançou 11,35%, refletindo a pressão de preços no setor de alimentação fora do domicílio.

Além das despesas escolares, o início do ano é marcado por custos ligados ao automóvel e à moradia. O estudo aponta que, embora o preço do carro usado tenha recuado em 2025, despesas obrigatórias como emplacamento e licença acumulam alta de 52,06% desde 2021. O IPTU, apesar de não subir acima da inflação, pesa pela concentração no calendário, chegando junto com as demais contas do período.

E-commerce vira aliado das famílias

Diante dos preços mais elevados, pais e mães passaram a combinar compras em lojas físicas e no ambiente digital para tentar reduzir a fatura. A estratégia tem transformado a volta às aulas em uma nova data-chave do varejo, com intensidade de concorrência semelhante à da Black Friday e do Natal.

No comércio eletrônico, plataformas apostam em descontos agressivos, parcelamento e ferramentas específicas para o período. A Amazon, por exemplo, lançou um site em que escolas cadastram listas de livros por série, permitindo que as famílias comprem diretamente os títulos corretos, com entrega garantida antes do início das aulas. A empresa também ampliou promoções, com descontos que chegam a 60% em parte do portfólio, além de benefícios adicionais para clientes Prime.

Outros marketplaces, como Shopee e Estante Virtual, reforçaram campanhas sazonais, com cupons, frete subsidiado e ofertas em papelaria, mochilas e livros novos e usados. A tendência tem sido dividir as compras entre diferentes plataformas para aproveitar variações de preço, que podem ultrapassar 200% para um mesmo item, segundo levantamentos de Procons estaduais.

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