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Vendas em bares e restaurantes caem 3,7% em junho

Da redação
17 de julho de 2025
Mesmo com datas tradicionais de consumo, setor sofre com juros altos, inflação e perda de poder de compra; Sul do país registra maiores quedas

As vendas no setor de bares e restaurantes registraram queda de 3,7% em junho de 2025 na comparação mensal, segundo o Índice Abrasel-Stone, relatório divulgado nesta quinta-feira (17) pela Stone em parceria com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Em relação a junho do ano passado, a retração foi ainda maior, chegando a 5,8%. No acumulado do primeiro semestre, o desempenho ficou praticamente estável, com uma leve queda de 0,2% em relação ao mesmo período de 2024.

A pesquisa, que acompanha as transações financeiras capturadas pela Stone em 24 estados brasileiros, revelou que apenas Sergipe (alta de 3,2%) e Tocantins (0,9%) apresentaram crescimento anual nas vendas do setor. Por outro lado, estados do Sul do país lideraram as maiores quedas: Rio Grande do Sul teve retração de 17,7% e Santa Catarina, 13,3%. São Paulo e Rio de Janeiro também apresentaram quedas significativas, de 4,8% e 4,7%, respectivamente.

Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, destacou a surpresa negativa do resultado em junho, mês tradicionalmente forte para o setor por conta do Dia dos Namorados e das festas juninas. “O resultado acompanha a desaceleração observada no varejo como um todo, refletindo os efeitos combinados de juros elevados, inflação persistente e perda de poder de compra. É preocupante, mas esperamos que reflita uma situação mais pontual”, afirmou.

O economista Guilherme Freitas, pesquisador da Stone, apontou que, embora o mercado de trabalho brasileiro apresente melhora — com taxa de desemprego em 6,2% no trimestre encerrado em maio, o menor nível desde 2012 —, o consumo segue pressionado pelo comprometimento da renda familiar com dívidas e pela inflação ainda elevada, mesmo em desaceleração.

“O elevado comprometimento da renda com o serviço da dívida continua limitando o consumo. A inflação perde fôlego, mas isso também indica menor dinamismo econômico”, explicou Freitas.

Apesar dos números negativos, Abrasel e Stone mantêm uma perspectiva moderada para o segundo semestre, apostando na combinação de inflação em desaceleração e manutenção dos empregos para recuperação gradual do setor.

“O momento exige atenção, cautela na gestão dos negócios e uso de dados para decisões estratégicas. Criamos o índice para que os empreendedores não naveguem no escuro”, afirmou Solmucci.

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