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Trump favoreceu concorrência no sistema financeiro, diz CEO do Nubank

Da redação
11 de março de 2026
David Vélez afirma que políticas do governo dos EUA reduziram barreiras para novos bancos enquanto fintech aguarda licença para operar no país

O cofundador e CEO do Nubank, David Vélez, afirmou que o governo de Donald Trump criou um ambiente mais favorável para o setor financeiro nos Estados Unidos ao incentivar a concorrência e reduzir barreiras para novos bancos.

Em entrevista à AFP, Vélez disse que a administração anterior mantinha maior incerteza regulatória sobre novos modelos de negócios, como criptomoedas, além de restrições para a criação de novas instituições financeiras.

“Na administração passada havia grande incerteza sobre novos modelos de negócio e o regulador foi muito fechado à criação de novos bancos. Isso beneficiou muito os grandes bancos. Esta administração começou a promover mais concorrência e a reduzir as barreiras de entrada”, afirmou.

A declaração ocorre no momento em que o Nubank se prepara para entrar no mercado financeiro norte-americano. Em janeiro, a fintech obteve uma aprovação condicional para operar como banco nos Estados Unidos, e agora aguarda a licença definitiva.

Fundado em 2013 em São Paulo, o Nubank foi criado com a proposta de oferecer serviços financeiros totalmente digitais e eliminar a necessidade de atendimento presencial. Atualmente, a instituição soma cerca de 131 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia.

Nos últimos anos, a empresa se consolidou como uma das fintechs mais valiosas da América Latina. Em 2025, registrou receita recorde de US$ 16,3 bilhões (cerca de R$ 84 bilhões), crescimento de 45% em relação ao ano anterior.

Segundo Vélez, o mercado norte-americano representa uma oportunidade relevante para o banco digital, já que muitos consumidores ainda estariam mal atendidos pelos serviços financeiros tradicionais.

“O modelo de banco digital é o modelo vencedor para digitalizar 90% da população mundial. Nosso custo para atender um cliente é cerca de 4% ou 5% do custo de um banco tradicional”, afirmou.

O executivo também destacou o papel da inteligência artificial na evolução dos serviços financeiros, especialmente na personalização de produtos. Para ele, no entanto, o uso da tecnologia exige atenção à proteção de dados dos usuários.

“O maior desafio é o controle e o respeito aos dados do usuário. Se um algoritmo oferece aconselhamento financeiro, ele precisa seguir as mesmas regras que já se aplicam a um consultor humano”, disse.

Vélez também afirmou que, apesar do avanço digital, os bancos tradicionais não devem desaparecer completamente. Segundo ele, parte das instituições deve se adaptar ao novo modelo tecnológico, enquanto outras podem perder espaço.

Ao comentar o ambiente regulatório no Brasil, o executivo avaliou que a estabilidade das regras ao longo de diferentes governos contribuiu para o desenvolvimento do setor financeiro no país.

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