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Taxa das blusinhas: Varejistas brasileiras chegam mais preparadas para nova ofensiva das chinesas

Rodrigo Dias
13 de maio de 2026
Relatório do BTG Pactual indica que setor ainda deve enfrentar pressão competitiva de plataformas como Shein, Shopee e Temu, mas avalia que empresas locais melhoraram gestão de estoques, precificação e eficiência operacional desde 2023

A decisão do governo federal de eliminar a alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 reacendeu o debate sobre a concorrência entre varejistas brasileiras e plataformas asiáticas, mas o impacto tende a encontrar um setor doméstico mais preparado do que há dois anos. Em relatório divulgado nesta quarta-feira (13), o BTG Pactual afirma que empresas locais avançaram em disciplina operacional, gestão de estoques e estratégia comercial desde o pico da pressão competitiva em 2023 e 2024. O banco ressalta, porém, que o fim da chamada ‘taxa das blusinhas’ favorece novamente a expansão de marketplaces internacionais como Shopee, Shein e Temu.

Segundo o relatório, a medida assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elimina a tributação federal criada em 2024 sobre remessas internacionais de baixo valor. Até então, compras internacionais estavam sujeitas à cobrança de 20% de imposto de importação mais ICMS, o que levava a uma carga tributária efetiva entre 40% e 50%, dependendo do estado e da categoria do produto.

O BTG lembra que, antes da taxação, o Brasil recebia mais de 18 milhões de encomendas internacionais por mês. Após a implementação da medida, o volume teria caído para cerca de 11 milhões mensais no fim de 2024, voltando gradualmente para a faixa de 15 milhões a 17 milhões com subsídios maiores das plataformas e ganhos logísticos.

Mesmo com a reversão do imposto, o banco avalia que varejistas nacionais estão mais resilientes. Em levantamento próprio comparando uma cesta de oito produtos entre Lojas Renner, C&A Brasil, Riachuelo e Shein, a plataforma chinesa segue mais barata: 6% abaixo da Riachuelo, 10% abaixo da Renner e 13% abaixo da C&A.

Ainda assim, o BTG destaca que a diferença de preços diminuiu de forma relevante em relação às pesquisas realizadas em 2024 e 2025, indicando avanços das empresas brasileiras em sourcing, controle de remarcações, alocação de estoques e arquitetura de preços. Para o banco, isso sugere que os grupos locais estão “operacionalmente mais preparados” para enfrentar um ambiente competitivo mais agressivo.

O relatório também mostra que a disputa deixou de se restringir ao vestuário barato e já se espalha para categorias como acessórios eletrônicos, beleza, decoração, artigos esportivos e bens de consumo. O banco destaca que players internacionais continuam ampliando investimentos em logística local, frete grátis, publicidade e ecossistemas de criadores de conteúdo, enquanto varejistas brasileiras ainda operam sob uma estrutura tributária, trabalhista e logística mais pesada.

Apesar disso, o BTG avalia que o principal desafio agora será preservar ganhos recentes de margem e qualidade de estoque diante de uma nova rodada de pressão sobre preços e participação de mercado.

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