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Suzano, Gerdau e Vale ganham relevância entre investidores em cenário de maior volatilidade no Brasil

Lucas Andrade
27 de outubro de 2026

Relatório do BTG Pactual aponta que empresas brasileiras ligadas ao setor de recursos básicos podem ganhar relevância entre investidores em um cenário de maior incerteza econômica e pressão sobre os ativos domésticos. Segundo o banco, companhias com receitas dolarizadas e baixa exposição ao mercado interno tendem a se beneficiar de um ambiente marcado por câmbio mais desvalorizado, juros elevados e aumento da busca por proteção nas carteiras.

De acordo com o estudo, a desvalorização do real é hoje um dos principais fatores capazes de impulsionar os resultados dessas empresas. Como grande parte das receitas é gerada em dólar, enquanto parcela relevante dos custos permanece em reais, movimentos do câmbio podem ter impacto significativo na geração de caixa e na rentabilidade do setor.

Entre os destaques, o BTG Pactual cita Suzano e Gerdau como suas principais preferências dentro da cobertura. A avaliação leva em conta características consideradas defensivas, como exposição relevante ao dólar, estruturas de capital robustas e capacidade de geração de caixa mesmo em um ambiente econômico mais desafiador.

O relatório também chama atenção para a qualidade financeira das grandes exportadoras brasileiras. Segundo os analistas, empresas como Vale, Suzano e Gerdau possuem classificação de grau de investimento, acesso a financiamentos internacionais e exposição limitada às taxas de juros domésticas, fatores que contribuem para reduzir o impacto de um cenário de juros elevados por mais tempo.

No caso da Suzano, o banco destaca a forte geração de receitas em dólar e a capacidade da companhia de capturar ganhos com uma eventual desvalorização do real. Já a Gerdau é apontada como uma empresa com perfil internacional relevante, com aproximadamente 75% do EBITDA vindo da América do Norte.

A Vale, por sua vez, continua enfrentando desafios relacionados ao mercado global de minério de ferro, mas o BTG observa que a companhia mantém baixa exposição à economia doméstica e pode se beneficiar de um aumento da demanda por ativos considerados mais defensivos.

Na visão do banco, o setor de recursos básicos segue convivendo com desafios estruturais em mercados como minério de ferro, aço e celulose. Ainda assim, a combinação entre receitas em moeda forte, balanços sólidos e menor dependência do consumo interno coloca as grandes exportadoras brasileiras em uma posição relativamente favorável dentro do mercado acionário nacional.

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