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BTG vê pressão sobre ativos brasileiros após resultado eleitoral e destaca empresas mais resilientes

Lucas Andrade
26 de outubro de 2026

Relatório do BTG Pactual aponta que a reeleição do presidente Lula para mais quatro anos abre um novo ciclo político marcado por um Congresso mais inclinado ao centro e à direita, fator que deve ampliar a necessidade de negociações para a aprovação de medidas econômicas nos próximos anos.

Segundo o banco, o mercado deve acompanhar de perto os primeiros sinais da nova administração, especialmente a formação da equipe econômica e as diretrizes para a política fiscal. O documento destaca que a percepção sobre a condução das contas públicas será determinante para o comportamento dos juros, do câmbio e dos investimentos no país.

Na avaliação do BTG, a reeleição tende a provocar um aumento das taxas de juros de longo prazo e uma desvalorização do real frente ao dólar, o que pode dificultar um ciclo mais acelerado de redução da taxa Selic pelo Banco Central. O relatório observa que as expectativas para a inflação e para a trajetória fiscal seguirão no centro das atenções dos agentes econômicos.

O banco também afirma que o mercado de ações brasileiro pode enfrentar um período de maior volatilidade nas próximas semanas. A leitura é que empresas ligadas ao mercado doméstico tendem a sentir mais os efeitos de juros elevados, enquanto companhias com receitas atreladas ao dólar ou maior exposição ao mercado internacional podem apresentar desempenho relativamente melhor.

Entre os segmentos destacados pelo BTG estão exportadoras dos setores de mineração, papel e celulose, petróleo, agronegócio e indústria. O relatório cita nomes como Vale, Gerdau, Suzano, PRIO, WEG e Embraer entre as empresas que poderiam se beneficiar de um cenário de câmbio mais depreciado.

O estudo também chama atenção para empresas com baixa alavancagem financeira e atuação em setores considerados defensivos. Seguradoras e companhias de consumo básico aparecem entre os destaques do banco para enfrentar um ambiente de juros mais altos e crescimento econômico mais moderado.

Como parte da análise, o BTG resgata o comportamento dos mercados após as eleições de 2018 e 2022. O levantamento mostra diferenças importantes na reação dos investidores em cada período, especialmente em relação aos juros de longo prazo, ao desempenho da Bolsa e às expectativas para a política econômica.

Para o banco, a evolução da agenda fiscal e a capacidade do governo de transmitir previsibilidade econômica serão fatores-chave para definir o rumo dos ativos brasileiros ao longo dos próximos meses.

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