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Shein entra no vermelho antes de IPO em Hong Kong e cita guerra comercial como risco

Da redação
27 de julho de 2026
Segundo o Financial Times, varejista de moda rápida registrou prejuízo no primeiro trimestre e vê tarifas dos EUA e da União Europeia pressionarem resultados

A Shein registrou prejuízo líquido de US$ 99 milhões no primeiro trimestre fiscal de 2026, em um momento em que se prepara para realizar sua aguardada oferta pública inicial (IPO) na Bolsa de Hong Kong. As informações constam em documentos apresentados à bolsa e divulgados pelo Financial Times nesta segunda-feira (27).

Segundo a publicação, a empresa atribuiu o resultado negativo principalmente a uma perda contábil de US$ 328 milhões relacionada à reavaliação de ações preferenciais conversíveis. Ainda assim, a companhia também destacou que o aumento das barreiras comerciais impostas por Estados Unidos e União Europeia representa um risco crescente para seus negócios.

A divulgação marca a primeira atualização financeira relevante da Shein desde a decisão de listar suas ações em Hong Kong, após tentativas frustradas de abrir capital em Nova York e Londres.

Os resultados mostram uma desaceleração da rentabilidade da varejista. Depois de atingir lucro líquido de US$ 3,4 bilhões em 2024, a companhia encerrou 2025 com US$ 2 bilhões, enquanto a margem líquida caiu de 8,7% para 4,9%.

A empresa afirma que tem buscado compensar parte do impacto das novas tarifas elevando os preços dos produtos vendidos nos Estados Unidos. Em maio de 2025, Washington eliminou a isenção tarifária para pequenas encomendas internacionais, mecanismo amplamente utilizado pela Shein para enviar mercadorias diretamente da China aos consumidores americanos.

Embora os Estados Unidos continuem sendo seu principal mercado individual, sua participação na receita caiu de 30% em 2023 para 22% neste ano, refletindo tanto o enfraquecimento do crescimento local quanto a estratégia da companhia de expandir operações em outras regiões.

Na Europa, a empresa enfrenta novos desafios regulatórios. A União Europeia abriu uma investigação sobre a comercialização de produtos considerados ilegais na plataforma, incluindo itens que violariam normas de segurança e proteção ao consumidor.

O documento apresentado aos investidores também alerta para o risco de uma escalada das tensões comerciais entre a China e seus principais mercados consumidores. Segundo o Financial Times, governos europeus têm intensificado a pressão para conter a entrada de produtos chineses de baixo custo, considerados uma ameaça à indústria local.

Apesar dos esforços para diversificar sua cadeia de fornecedores, incluindo investimentos na Turquia, a Shein segue fortemente dependente da produção chinesa.

O prospecto também volta a mencionar riscos relacionados à cadeia de suprimentos e à reputação de parceiros de fabricação, sem citar diretamente Xinjiang. A região chinesa já foi alvo de críticas internacionais por denúncias de trabalho forçado, tema que dificultou os planos anteriores da companhia de abrir capital em mercados ocidentais. A Shein afirma manter política de “tolerância zero” para trabalho forçado e diz exigir que seus fornecedores utilizem apenas algodão proveniente de regiões aprovadas.

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