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Sem alarde, livro de quase mil páginas de cartas de Warren Buffett é lançado

Da redação
31 de maio de 2026
Obra traz 60 anos de cartas escritas por Warren Buffett e trazem vida do bilionário sem cortes

Sem nenhuma pompa e com a irreverência de seu fundador, a Berkshire Hathaway lançou em seu site um livro sobre a coletânia das tradicionais cartas de Warren Buffett aos acionistas da maior gestora de investimentos do mundo, escritas entre 1965 a 2024. São 60 anos de experiência do maestro de portfólios de ações, referência no mundo inteiro, sem filtro, conforme explicação da Explorist Productions, editora responsável pelo projeto. “Outros livros podem fornecer pedaços, edições menores ou pinçar trechos, mas se você quer a versão inédita, este é o livro.”

Juntas, as cartas de Buffett somam 940 páginas, nas quais o maior gestor da história de Wall Street tira sarro de si mesmo, descreve suas decisões de investimento, paciência e visão geral dos mercados. Carregam a marca do velhinho que fez sua fortuna bilionária apostando em companhias nem sempre quando eram hype entre investidores, e saindo de posições que precisou mais tarde justificar a todos pela surpresa.

Buffet acreditava que a Berkshire deveria ser vista por seus acionistas como um filme, e não estática como uma fotografia. Por isso, ele sempre escreveu suas cartas assumindo que o público havia lido a edição anterior — razão pela qual é fácil acreditar no sucesso de uma coletânia das memórias do bilionário.

As cartas de Buffet sempre tiveram perfil profissional, apesar de cumprirem com o que é esperado de uma correspondência: detalhes autobiográficos da vida de seu remetente. A partir de 1979, passaram a ser editadas Carol Loomis, jornalista de carreira da revista Fortune com quem Buffett criou um laço forte de amizade. Quase tão forte quanto o que teve com seu parceiro de negócios e melhor amigo, Chalie Munger.

A propósito, em sua correspondência aos acionistas, o oráculo de Omaha diz que cometeu um dos maiores erros de sua vida quando começou a Berkshire Hathaway. Buffett fechou seu hedge fund em 1969, o que o deixou com a Berkshire. Bem diferente do império que hoje representa, a empresa estava passando por maus lençóis na época, e atuava no mercado têxtil.

Em 2014, ele reflete sobre o porquê de ter escolhido ficar com a Berkshire Hathaway: “eu penso nessa pergunta há 48 anos e ainda não achei uma boa resposta. Eu simplesmente cometi um erro”, escreveu.

A realidade das cartas é que Buffett nunca esteve interessado em pular no barco da tese de investimentos mais quente de Wall Street. O bilionário sempre deu ênfase na construção de um negócio a longo prazo, marca registrada de sua tese de investimentos: o value investing.

O livro, infelizmente, está disponível para envio somente nos Estados Unidos. Na contracapa, está o quanto o portfólio de Buffet superou índices de mercado — a filosofia ganhadora do bilionário refletida em números.

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