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Sanções ao Irã ameaçam R$ 3 bi baseados em agro e fertilizantes

Da redação
13 de janeiro de 2026
Medida dos EUA que prevê taxa de 25% a países que mantêm comércio com Teerã ocorre em meio a protestos reprimidos com violência fatal. Para cada dólar comprado o Brasil gera US$ 34,32 em exportações

O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa adicional de 25% a países que mantêm relações comerciais com o Irã segue reverberando no cenário internacional e acende um alerta direto para setores estratégicos da economia brasileira. A medida prevê a cobrança da sobretaxa sobre todas as transações comerciais desses países com os Estados Unidos, ampliando a pressão econômica e diplomática sobre parceiros de Teerã.

Segundo Trump, a tarifa será aplicada de forma imediata, embora a Casa Branca ainda não tenha divulgado os detalhes formais da ordem executiva. Mesmo assim, o anúncio já provocou reações de governos e mercados.

Exportações do Brasil
  • US$ 2,9 bilhões
Importações do Brasil
  • US$ 85,5 milhões
Setores em risco no Brasil

A balança é sensivelmente favorável ao Brasil, que vendeu US$ 2,9 bilhões ao Irã, que por sua vez vendeu US$ 84,5 milhões, numa proporção de 34,32 para um. O agronegócio é o principal setor exposto. Em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e Irã somou quase US$ 3 bilhões, com forte concentração nas exportações de milho e soja, que responderam por mais de 80% do total. Eventuais sanções indiretas podem elevar custos, reduzir competitividade ou forçar exportadores a redirecionar mercados.

Outro ponto sensível está na cadeia de fertilizantes. O Brasil importa do Irã insumos considerados estratégicos para a produção agrícola, e qualquer restrição adicional pode pressionar preços e impactar toda a cadeia do campo.

Também entram no radar empresas brasileiras com forte exposição ao mercado americano, mesmo que não negociem diretamente com o Irã. A aplicação da tarifa pode encarecer operações, financiamentos e contratos internacionais, aumentando o risco regulatório.

Contexto político e repressão interna

A decisão ocorre em meio a uma nova onda de protestos no Irã, iniciados por reivindicações econômicas e que rapidamente ganharam caráter político, com críticas diretas à República Islâmica e ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Organizações de direitos humanos apontam centenas de mortos e milhares de presos, embora a dimensão real da repressão seja difícil de confirmar devido a cortes frequentes de internet no país.

Nos bastidores, Trump tem endurecido o discurso e não descarta uma escalada militar. A Casa Branca afirma que a diplomacia segue como primeira opção, mas reconhece que “todas as alternativas” estão sobre a mesa.

Reação internacional

A medida foi recebida com críticas da China, um dos principais parceiros comerciais do Irã. Pequim se posicionou contra “sanções unilaterais” e prometeu adotar medidas para proteger seus interesses. Outros países aguardam a formalização da tarifa para avaliar respostas conjuntas ou individuais.

O Irã, por sua vez, afirma manter canais de diálogo abertos com Washington, embora reforce que não busca um conflito, ainda que esteja preparado para ele.

Brics e rearranjos diplomáticos

O cenário se torna ainda mais complexo porque o Irã passou a integrar o Brics em 2024, ao lado de Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul, além de novos membros como Emirados Árabes Unidos, Egito e Arábia Saudita. O movimento reforça a articulação política e econômica fora do eixo ocidental e pode acelerar rearranjos no comércio global.

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