Aluguéis avançam mais de 10% em 12 meses, com rentabilidade ainda abaixo da renda fixa
O mercado de imóveis comerciais dá sinais de reação, mas ainda não convence o investidor. Enquanto os aluguéis aceleram, o retorno segue aquém de aplicações financeiras em um cenário de juros elevados.
Dados do Índice FipeZAP mostram que a locação de salas e conjuntos corporativos de até 200 m² subiu 0,89% em março, bem acima da alta de 0,30% nos preços de venda. No acumulado de 12 meses, o descolamento é ainda mais evidente: os aluguéis avançaram 10,23%, contra apenas 2,16% das vendas.
O movimento acompanha a inflação — o IPCA variou 0,88% no mês — e reforça a retomada gradual da demanda por espaços corporativos. Ainda assim, o ganho não tem sido suficiente para recolocar o setor no topo das preferências.
No primeiro trimestre de 2026, os aluguéis acumularam alta de 3,26%, enquanto os preços de venda praticamente andaram de lado, com avanço de 0,58%.
O desempenho, no entanto, segue desigual entre as cidades. Salvador, Curitiba e Rio de Janeiro puxaram a alta da locação em março, enquanto os preços de venda mostraram avanço mais moderado, liderados por Porto Alegre e Campinas.
O preço médio nacional ficou em R$ 8.709 por metro quadrado para venda e R$ 51,63 por m² para locação. São Paulo segue como referência de preço, tanto na venda quanto no aluguel, seguida por Curitiba e Florianópolis.
Mesmo com a melhora dos aluguéis, a conta ainda não fecha para o investidor. A rentabilidade média da locação comercial subiu para 7,35% ao ano — acima dos imóveis residenciais, mas ainda abaixo de aplicações conservadoras, que seguem atrativas com os juros em patamar elevado.
Na prática, o setor ensaia uma recuperação, mas o capital continua cauteloso — e, por enquanto, prefere a previsibilidade da renda fixa ao risco do tijolo.
