Pelo 13º mês seguido, importação de ouro subiu em Hong Kong
O ouro parecia não ter tração com a guerra do Irã. O salto no preço das principais commodities de energia no mundo, especialmente do petróleo, levou investidores a darem um passo atrás na tomada de risco. Mas, para a China, a queda abrupta do metal precioso em 10% em março, quando os EUA atacaram o país persa, significa uma oportunidade melhor para aumentar seu estoque.
Em relatório, o Banco Safra afirma que o banco central de Pequim continuou a comprar ouro para suas reservas pela 18ª semana consecutiva. O aumento de vem “a despeito de pressão sobre os preços do ouro com a alta da inflação americana e expectativa de alta ainda maior de preços de energia, ligados ao conflito no Oriente Médio”, diz o Safra.
Justamente, o que vem causando essa pressão no ouro é a perspectiva de que a inflação nos Estados Unidos deve subir, e não cair como era esperado no começo do ano. O Federal Reserve, banco central dos EUA, está perdendo razões para fazer um ciclo de corte de juros profundo — hoje, o mercado financeiro tem o consenso de que o Fed deve manter os juros em sua próxima reunião, em junho.
Esse temor se traduz em menos investidores buscando ativos que não estejam diretamente atrelados às taxas americanas, ou ao próprio dólar. O ouro vem perdendo espaço nesse cenário, apesar de Pequim ainda acreditar na commodity e aumentar seus estoques.
Hong Kong demonstra a fome dos chineses pelo ouro. Em maio, a importação líquida de ouro saltou 81% na comparação com abril, para 86,7 toneladas. Foi o 13º mês seguido de crescimento consecutivo na importação do metal, “destacando a forte demanda dos chineses por ouro em barras”, explica o Safra.
