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Produtores alertam para desafios do Plano Safra 2025/26

Da redação
11 de julho de 2025
Anúncio recente de R$ 594,4 bilhões não alivia custo alto do crédito e limita acesso, especialmente para médios e pequenos agricultores

Anunciado no início de julho, o Plano Safra 2025/26 trouxe um volume recorde de R$ 516,2 bilhões em crédito rural, mas produtores brasileiros já manifestam preocupação com os desafios que persistem na prática. Apesar do montante expressivo, o cenário de juros elevados e crédito restrito tem limitado o acesso ao financiamento, sobretudo para médios e pequenos agricultores, comprometendo investimentos e modernização da produção.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou que irá destinar R$ 70 bilhões ao Plano Safra – o maior volume já ofertado pelo banco, com aumento nominal de 5% em relação ao ciclo anterior. No entanto, o crescimento não representa avanço real, já que fica abaixo da inflação acumulada no período.

Com a taxa Selic mantida em 15% ao ano, linhas de crédito para investimento chegam a cobrar juros de até 14%, dificultando o custeio e reduzindo o ganho real do crédito disponível. Mesmo com parte dos recursos do BNDES oferecendo juros mais baixos, entre 0,5% e 8% ao ano para pequenos produtores e entre 8,5% e 14% para médios e grandes, a inflação acumulada de 5,3% ainda corrói o poder de compra dos produtores, conforme alerta Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro. “O problema não está no valor nominal do Plano Safra, mas na efetividade desse crédito. Em termos reais, o plano não atende às necessidades básicas do setor”, explica.

Do total anunciado, R$ 414,7 bilhões são destinados a operações de custeio e comercialização e R$ 101,5 bilhões a investimentos. Contudo, programas essenciais, como o de Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), seguem com recursos congelados, com juros entre 8,5% e 10%, o que é insuficiente para reduzir o déficit de armazenagem, estimado em 112 milhões de toneladas.

Outro ponto que acende alerta é o crescimento do crédito privado no plano, que representa 36% do total, cerca de R$ 185 bilhões originados em Cédulas de Produto Rural (CPRs) lastreadas em Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). Essas operações, com juros livres e sem controle estatal, aumentam a exposição dos produtores a riscos cambiais e impõem garantias mais rígidas. Um exemplo é o montante de R$ 14,4 bilhões que terá custo financeiro atrelado ao dólar, mecanismo voltado a exportadores, mas que também amplia a vulnerabilidade diante da volatilidade cambial.

“O avanço do crédito privado pode parecer um avanço, mas eleva a vulnerabilidade do produtor. Com a volatilidade cambial e custos financeiros elevados, junto com a queda dos preços de commodities como soja e milho, as margens ficam apertadas e o investimento sofre”, destaca Monteiro.

Embora o Plano Safra seja vital para o agronegócio, que responde por cerca de 24% do PIB brasileiro, os produtores pedem atenção às limitações práticas do programa em um cenário de juros altos e instabilidade econômica.

“Esse plano, apesar do volume recorde, torna o setor mais exposto e dependente do crédito privado, com previsibilidade reduzida e custos altos. Isso preocupa muito o setor produtivo”, conclui a analista.

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