Estimativa da OIV aponta leve recuperação após o pior resultado desde 1961, mas efeitos do clima extremo ainda limitam a oferta global
A produção global de vinho deve apresentar uma leve recuperação em 2025, após atingir o menor volume desde 1961 no ano passado. Segundo projeções da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), divulgadas nesta quarta-feira (12), o total estimado é de 232 milhões de hectolitros, um aumento de 3% em relação a 2024 — ainda assim, abaixo da média histórica recente.
De acordo com a OIV, que reúne 51 países e responde por 85% da produção mundial, o cenário confirma um período prolongado de oferta reduzida. As causas principais são as mudanças climáticas e a transformação nos hábitos de consumo, que vêm alterando o equilíbrio do mercado global.
Europa ainda sente o impacto do clima
O continente europeu, responsável por cerca de 60% da produção mundial, deve atingir cerca de 140 milhões de hectolitros, uma alta de 2% em relação a 2024. Apesar disso, o volume continua 8% abaixo da média dos últimos cinco anos, reflexo da crescente incidência de fenômenos climáticos extremos como secas e geadas. Caso a estimativa se confirme, será a segunda menor colheita registrada neste século.
Hemisfério Sul enfrenta perdas no Chile
Nos países do Hemisfério Sul, a produção prevista é de 49 milhões de hectolitros, número inferior à média quinquenal. A OIV aponta que África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e Brasil devem registrar uma recuperação modesta, enquanto o Chile enfrenta uma queda de 10%, marcando o quarto ano consecutivo de retração.
A organização deve divulgar os números consolidados da safra em abril de 2026. Até lá, o setor segue em alerta diante dos impactos climáticos e das incertezas sobre o comportamento do consumo global.
