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Produção industrial recua em junho e enfrenta piora nas condições financeiras

Da redação
18 de julho de 2025
Com queda no faturamento, dificuldades de crédito e desaceleração econômica, indústria fecha o 1º semestre de 2025 em retração. Expectativas ainda são positivas, mas em leve deterioração

A produção industrial brasileira recuou em junho e o setor encerrou o primeiro semestre de 2025 em retração, segundo a Sondagem Industrial divulgada nesta sexta-feira (18) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice de evolução da produção caiu de 52 pontos em maio para 47,2 pontos em junho, abaixo da linha dos 50 pontos que separa crescimento de retração. Em comparação com o mesmo mês do ano passado, o desempenho também piorou: em junho de 2024, o indicador ficou em 48,7 pontos.

O emprego industrial também registrou contração mais acentuada do que a usual para o mês: o índice de evolução do número de empregados caiu de 49,6 para 49,1 pontos, inferior aos 50 pontos registrados em junho de 2024, que indicavam estabilidade.

Já a utilização da capacidade instalada (UCI) subiu ligeiramente, passando de 70% para 71% entre maio e junho, superando em 1 ponto percentual o nível de junho do ano passado.

Os estoques sofreram leve recuo, com o índice efetivo em relação ao planejado caindo de 50,5 para 49,7 pontos. O índice de estoques propriamente dito passou de 50,4 para 49,6 pontos.

No segundo trimestre, as condições financeiras da indústria também se deterioraram. O índice de satisfação dos empresários com as finanças caiu de 48,8 para 48,4 pontos, refletindo maior insatisfação. Para a CNI, a combinação entre desaceleração da economia e juros elevados pressiona os custos e reduz o faturamento das empresas industriais.

“O aperto financeiro é cada vez mais sentido pelos empresários”, afirmou Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

O índice de satisfação com o lucro operacional caiu para 42,8 pontos, aprofundando o nível de insatisfação, enquanto a facilidade de acesso ao crédito caiu para 39,9 pontos, indicando maior dificuldade de financiamento.

Apesar do cenário atual, as expectativas da indústria para os próximos seis meses seguem em campo positivo, mas com leve deterioração. O índice de expectativa de demanda caiu de 55,6 para 55,4 pontos em julho, e o de exportações, de 52,5 para 51,7 pontos. A expectativa de emprego teve leve recuo de 0,1 ponto e ficou estável.

A intenção de investimento também mostrou estabilidade, com 56,2 pontos em julho, porém, acumula queda de 2,6 pontos desde o pico registrado em dezembro de 2024.

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