Setor cai 0,4%, com quedas acentuadas no Paraná, Bahia e Rio de Janeiro, enquanto Amazonas e Rio Grande do Sul sustentam os principais avanços regionais
A produção industrial brasileira caiu 0,4% em setembro de 2025, na comparação com agosto, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional, divulgada nesta terça-feira (11) pelo IBGE. O resultado foi puxado por taxas negativas em seis dos 15 locais pesquisados, com destaque para Paraná (-6,9%), Bahia (-4,7%) e Rio de Janeiro (-4,3%).
Outras retrações foram registradas no Pará (-1,4%), São Paulo (-0,4%) e na Região Nordeste (-0,1%). De acordo com o analista da pesquisa, Bernardo Almeida, o desempenho reflete a reversão dos ganhos observados em agosto.
“A indústria paranaense, principal influência negativa, se retrai após avançar 5,4% no mês anterior, eliminando a expansão verificada em agosto. Contribuíram para essa queda os setores de máquinas, aparelhos e materiais elétricos e de veículos automotores”, afirmou o pesquisador.
Ele destacou ainda que o resultado do Paraná é o pior desde outubro de 2022, quando a produção recuou 12,4%.
No Rio de Janeiro, a retração de 4,3% marcou o segundo mês consecutivo de queda, com perda acumulada de 6,2%. O recuo foi influenciado principalmente pelos segmentos extrativo e de derivados do petróleo. Em São Paulo, que concentra cerca de 33% da indústria nacional, o tombo de 0,4% interrompeu dois meses de crescimento, ainda que o setor se mantenha próximo ao nível pré-pandemia.
“A indústria paulista se encontra 0,1% abaixo do seu patamar pré-pandemia e 21,7% abaixo do pico histórico, registrado em março de 2011”, detalhou Almeida.
Destaques positivos
Entre os estados com desempenho positivo, Amazonas (9,0%), Rio Grande do Sul (4,8%) e Espírito Santo (4,6%) apresentaram os maiores avanços em setembro.
O Rio Grande do Sul foi o principal destaque, com a terceira alta consecutiva e ganho acumulado de 10,7% no período, impulsionado pelos setores de alimentos e máquinas e equipamentos.
O Amazonas, segundo maior destaque, registrou sua maior alta desde fevereiro de 2024 (9,9%), após dois meses de resultados negativos.
“Os setores de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos e de bebidas foram os que mais contribuíram para o crescimento amazonense”, explicou Almeida.
Comparação anual
Na comparação com setembro de 2024, a produção industrial nacional avançou 2,0%, com 14 dos 18 locais pesquisados apresentando crescimento. O mês teve um dia útil a mais do que no ano anterior, o que também influenciou o resultado.
Espírito Santo (19,2%), Rio Grande do Norte (19,0%) e Rio Grande do Sul (10,6%) lideraram os avanços. No Espírito Santo, o crescimento foi impulsionado pela produção de petróleo, gás natural e minério de ferro. Já no Rio Grande do Norte, setores de confecção, biocombustíveis e alimentos se destacaram.
Entre os locais com retração anual estão Mato Grosso (-13,6%), Maranhão (-6,1%), Paraná (-1,8%) e São Paulo (-0,3%).
Sobre a pesquisa
A PIM Regional acompanha o comportamento do produto real das indústrias extrativas e de transformação em 17 unidades da federação e na Região Nordeste desde a década de 1970. Os dados detalhados podem ser consultados no Sidra, o banco de dados do IBGE. A próxima divulgação está prevista para 9 de dezembro de 2025.
