Indústria automotiva registra retração mensal e anual, com queda também nas exportações
Com desaceleração na produção e nas vendas, a indústria automotiva brasileira começou 2026 em ritmo mais fraco. Dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram queda na produção, nas vendas e nas exportações de veículos em janeiro, tanto na comparação com dezembro quanto com o mesmo período do ano passado.
Ao todo, foram produzidos 159,6 mil veículos — entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus — o que representa recuo de 13,5% frente a dezembro e queda de 12% em relação a janeiro de 2025. Segundo a entidade, a base de comparação anual foi elevada, já que o primeiro mês do ano passado teve produção atipicamente alta.
As vendas somaram 170,5 mil unidades no mês, com retração de 39% na comparação mensal e leve queda de 0,4% frente ao mesmo período de 2025. A Anfavea destacou que a diferença anual foi influenciada por um dia útil a menos no calendário deste ano.
Exportações e mercado externo
As exportações também recuaram, com 25,9 mil veículos embarcados em janeiro — queda de 18,3% na comparação anual. O principal fator apontado foi a redução das vendas para a Argentina, principal parceiro comercial do setor automotivo brasileiro.
Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o desempenho do mercado argentino teve impacto relevante na produção nacional e seguirá sendo monitorado para preservar a integração das cadeias produtivas entre os países.
Incentivos e programas do setor
Calvet afirmou ainda que não espera a prorrogação do programa Carro Sustentável, voltado ao incentivo de veículos mais acessíveis e com menor emissão de poluentes, já que ele está vinculado ao IPI, imposto que deve ser gradualmente substituído pela reforma tributária até 2027.
Desde a criação do programa, em julho do ano passado, cerca de 282 mil veículos foram vendidos dentro da iniciativa, com crescimento de 22,8% em relação ao período anterior.
Já o programa Move Brasil, voltado à renovação da frota de caminhões, ainda não mostrou impacto significativo nas vendas em janeiro. No mês, a comercialização de caminhões novos caiu 31,5% na comparação anual, enquanto a produção recuou 15,6%, apesar da liberação de R$ 1,3 bilhão em crédito para financiamentos.
A expectativa do setor é que os efeitos das linhas de crédito comecem a aparecer nos próximos meses, especialmente com o avanço das contratações via BNDES.
