Após alta de 3,5% em 2025, Anfavea projeta avanço moderado do setor, com foco em veículos leves, exportações firmes e impacto dos juros sobre caminhões
A Anfavea projeta crescimento de 3,7% na produção de veículos no Brasil em 2026, para 2,741 milhões de unidades. A estimativa foi divulgada nesta quinta-feira (15) e vem após um desempenho positivo em 2025, quando a indústria produziu 2,644 milhões de veículos, alta de 3,5% em relação a 2024, mesmo diante de juros elevados e um cenário econômico desafiador.
Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, a recuperação do setor continua, mas em ritmo mais moderado. Em 2025, o crescimento foi concentrado nos automóveis de passeio, com produção de 1,99 milhão de unidades (+4,8%), e nos comerciais leves, que somaram 501,7 mil veículos (+3,3%). Em sentido oposto, a fabricação de caminhões recuou 12,1%, para 124,1 mil unidades, refletindo o impacto do custo elevado do crédito. A produção de ônibus avançou 1,6%, totalizando 28,1 mil unidades.
No mercado interno, os emplacamentos alcançaram 2,69 milhões de veículos em 2025, alta de 2,1% e o terceiro ano consecutivo de crescimento. Ainda assim, o volume ficou cerca de 100 mil unidades abaixo do patamar registrado em 2019, antes da pandemia. O segmento de caminhões foi o mais afetado pela taxa Selic elevada, com queda de 9,2% nas vendas, que chegou a 20,5% nos modelos pesados.
As exportações foram o principal destaque do ano passado. O Brasil enviou 528,8 mil veículos ao exterior em 2025, salto de 32,1% na comparação anual, gerando US$ 13,58 bilhões em receitas (+22,9%). A Argentina permaneceu como principal destino. Para 2026, a Anfavea projeta crescimento mais contido das exportações, de 1,3%, para 536 mil unidades.
No recorte mensal, dezembro de 2025 apresentou retração na produção, com 184,5 mil veículos fabricados, queda de 15,8% ante novembro e de 3,9% frente a dezembro de 2024. A redução foi mais intensa em caminhões (-40,4%) e ônibus (-47,1%), refletindo ajustes sazonais e menor demanda por transporte pesado. Em contrapartida, os licenciamentos somaram 279,4 mil unidades no mês, o maior volume mensal do ano, impulsionado por automóveis de passeio e comerciais leves.
Para 2026, além do desempenho dos veículos leves, a Anfavea destaca o início da produção nacional de carros híbridos e elétricos, o fim de incentivos à importação de kits SKD e CKD e a recomposição do Imposto de Importação prevista para julho. A expectativa é de redução gradual da entrada de veículos eletrificados importados ao longo do ano.
