Presidente do Fed alerta para riscos de inflação e fragilidade no mercado de trabalho; mercado aposta em redução já em setembro
O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, indicou nesta sexta-feira (22) que a autoridade monetária pode rever sua política e adotar um corte de juros nos próximos meses. O discurso ocorreu durante o Simpósio de Política Econômica de Jackson Hole, em meio a pressões crescentes do presidente Donald Trump e a um cenário econômico considerado desafiador.
Powell destacou que a inflação segue acima da meta de 2% do banco central, mas que a desaceleração no mercado de trabalho também preocupa. Segundo ele, há sinais de enfraquecimento nas contratações e risco de aumento das demissões, enquanto tarifas comerciais têm pressionado os preços ao consumidor. “Não permitiremos que um aumento pontual se transforme em um problema de inflação persistente”, afirmou.
O Fed manteve as taxas de juros entre 4,25% e 4,50% desde dezembro de 2024. Dados recentes mostraram que o índice de preços ao consumidor preferido pela instituição avançou 2,6% em junho na comparação anual (2,8% quando excluídos alimentos e energia), acima da meta. Ao mesmo tempo, revisões nos dados de emprego indicaram ritmo de contratações menor que o estimado anteriormente.
O quadro dividiu opiniões dentro do próprio Fed: em julho, os governadores Christopher Waller e Michelle Bowman votaram pela redução imediata de 0,25 ponto percentual, em oposição à maioria que defendeu a manutenção das taxas. Foi a primeira divergência desse tipo desde 1993.
Powell, que deixa o cargo em maio de 2026, tem sido alvo frequente de críticas de Trump, que pressiona por cortes mais rápidos nos juros. Apesar das tensões, o presidente do Fed adotou um tom de cautela, afirmando que as próximas decisões dependerão da evolução dos dados econômicos.
O mercado, no entanto, já precifica uma mudança. Segundo a ferramenta FedWatch do CME Group, há 75,6% de probabilidade de que a primeira redução ocorra na reunião de setembro.
