Terminais privados e obras de infraestrutura elevam exportações e eficiência portuária
Os portos brasileiros registraram, em julho, o maior volume mensal de cargas da história, movimentando 124,7 milhões de toneladas, segundo dados do Ministério de Portos e Aeroportos. O desempenho foi impulsionado, principalmente, pelos granéis sólidos (minerais e vegetais), que somaram 76,6 milhões de toneladas. Nos primeiros sete meses do ano, o setor já acumula 780,4 milhões de toneladas, 1,76% acima do mesmo período de 2024.
A maior parte do volume foi destinada à navegação de longo curso (73%), seguida pela cabotagem (20%), que conecta portos dentro do Brasil. Todos os segmentos de carga apresentaram crescimento em relação a julho de 2024: granéis líquidos avançaram 6%, sólidos subiram quase 4%, contêineres cresceram 3% e carga geral teve alta de 0,9%.
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, destacou que o governo federal tem priorizado investimentos no setor para garantir segurança jurídica e ampliar a infraestrutura.
“A política liderada pelo presidente Lula vem aumentando a capacidade dos portos e fortalecendo as exportações do Brasil. A ampliação da capacidade é fundamental para a economia nacional”, afirmou.
Recordes também na Baixada Santista
Além dos números nacionais, terminais privados também vêm quebrando marcas importantes. A VLI, companhia de soluções logísticas que opera ferrovias, portos e terminais, alcançou em agosto o maior embarque da história do Terminal Integrador Luiz Antônio de Mesquita (Tiplam), na Baixada Santista. O navio MV SASEBO GLORY, o maior já atracado no local, foi carregado com 83 mil toneladas de açúcar VHP da bp bioenergy, com destino ao Oriente Médio.
O feito só foi possível após a conclusão, no primeiro semestre de 2025, das obras de dragagem que ampliaram o calado do terminal de 13,35m para 14,10m, aumentando em cerca de 10% a capacidade de carga dos navios. Desde então, o Tiplam vem acumulando recordes, como o desembarque de 72,6 mil toneladas de fertilizantes em julho, também o maior já registrado.
Segundo Marcelo Cardoso, diretor de operações do Corredor Sudeste da VLI, a ampliação fortaleceu a eficiência do terminal: “Procuramos maximizar a utilização de nossos ativos para gerar incrementos de produtividade a toda a cadeia logística. Os recordes são consequência dessa estratégia.”
Para a bp bioenergy, o aumento do calado do Tiplam trouxe ganhos diretos. “A possibilidade de embarcar volumes maiores amplia nossa escala de exportação, reduz custos logísticos e abre novas oportunidades de crescimento internacional”, disse Ricardo Carvalho, diretor comercial da empresa.
Papel estratégico do Tiplam
Responsável por 25% das exportações de açúcar em Santos, o Tiplam integra o Corredor Sudeste da VLI, que conecta São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal à Baixada Santista, com destaque para o transporte ferroviário de açúcar, grãos e fertilizantes.
Além de aumentar a competitividade, o modelo adotado pela VLI gera impactos positivos na mobilidade e no meio ambiente da região, já que todo o fluxo de exportação é feito por ferrovia, reduzindo o tráfego rodoviário e as emissões de gases do efeito estufa, seis vezes menores por tonelada transportada em relação ao modal rodoviário.
