O BTG Pactual destacou em relatório que o Brasil reúne condições únicas para avançar em modelos de “agentic commerce”, onde agentes de inteligência artificial podem realizar comparações de produtos, executar pagamentos e tomar decisões financeiras dentro de parâmetros definidos pelo cliente.
A combinação entre o Pix e o Open Finance cria uma infraestrutura diferenciada. Enquanto o Open Finance garante acesso padronizado e consentido a dados financeiros, o Pix oferece a camada de execução com pagamentos instantâneos e disponíveis 24 horas por dia.
Segundo o documento do banco, essa integração pode reduzir fricções no comércio digital e permitir que consumidores deleguem ações como compras recorrentes, agendamento de pagamentos e até renegociação de crédito sem precisar navegar por aplicativos bancários ou de varejo.
Dados citados pela Accenture reforçam a disposição dos brasileiros: 33% aceitariam dar autonomia total a um agente de IA dentro de limites pré-estabelecidos e 85% prefeririam um agente pessoal de IA a um contato próximo para intermediar compras, acima da média global.
O BTG ressalta, no entanto, que confiança, identidade e autorização seguem como os principais gargalos para adoção em larga escala. O modelo mais provável no curto prazo é o de autonomia supervisionada, com agentes operando dentro de limites explícitos e autenticação biométrica ou confirmação do usuário em transações de maior risco.
A clareza regulatória sobre responsabilidade, gestão de consentimento e prevenção de fraude será essencial para o avanço.
As implicações também se estendem ao segmento corporativo. A iniciativa Open Assets da CERC pode criar uma infraestrutura interoperável para recebíveis e ativos financeiros de pequenas e médias empresas, ampliando a capacidade de bancos e fintechs em conceder crédito, realizar cobranças e oferecer novos produtos fora dos relacionamentos bancários tradicionais.
Nesse cenário, instituições com forte presença em dados, pagamentos e engajamento com clientes tendem a estar melhor posicionadas, embora a interoperabilidade possa abrir espaço para novos competidores digitais.
O relatório conclui que o Brasil está à frente de muitos mercados internacionais ao já contar com uma infraestrutura integrada de dados e pagamentos, capaz de sustentar os primeiros casos de uso de agentes de IA no comércio e nos serviços financeiros.
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