Agência de classificação de risco afirma que medidas adotadas pelo governo para conter a inflação reduzem parte dos ganhos da petroleira com a alta do petróleo, mas destaca resiliência financeira da companhia
As medidas adotadas pelo governo federal para conter os efeitos da alta do petróleo sobre a inflação devem reduzir parte dos benefícios obtidos pela Petrobras com a valorização da commodity, segundo avaliação divulgada nesta terça-feira (21) pela Moody’s. A agência destaca que a combinação de subsídios aos combustíveis e da cobrança temporária de um imposto de 12% sobre as exportações de petróleo bruto limita os ganhos da estatal, embora sua sólida geração de caixa e a forte rentabilidade da área de exploração e produção (E&P) continuem sustentando seus indicadores de crédito.
De acordo com a Moody’s, cada aumento de US$ 10 por barril no preço do Brent adiciona cerca de US$ 5 bilhões ao fluxo de caixa operacional da Petrobras. No entanto, o subsídio de R$ 1,12 por litro para o diesel e de R$ 0,44 para a gasolina reduz o preço de referência utilizado pela companhia para definir seus combustíveis, enquanto o novo imposto sobre exportações amplia sua carga tributária. A agência também observa que a Petrobras enfrenta risco de intervenção política ao retardar o repasse da alta dos combustíveis ao consumidor final.
Apesar desse cenário, a Moody’s avalia que a empresa possui capacidade para absorver boa parte dos impactos. Isso porque a Petrobras reduziu sua exposição ao segmento de refino nos últimos anos — atualmente responsável por uma parcela menor do Ebitda —, enquanto cerca de três quartos da geração operacional vieram das atividades de exploração e produção ao fim de 2025. A gestão ativa do portfólio e as elevadas margens do segmento upstream também ajudam a compensar a volatilidade dos preços dos combustíveis.
Na avaliação da agência, a estrutura financeira da Petrobras permanece robusta. A companhia encerrou 2025 com dívida total de aproximadamente US$ 74 bilhões, caixa de US$ 9 bilhões e US$ 7 bilhões em linhas de crédito rotativas. Considerando um preço médio do Brent entre US$ 60 e US$ 75 por barril nos próximos dois anos, a Moody’s projeta que a relação entre dívida e Ebitda permanecerá entre 1,5 e 2 vezes até meados ou o fim de 2027, mesmo com possíveis perdas no segmento de refino.
