Alta superior a 40% em fevereiro reflete demanda firme, início da Quaresma e maior consumo de proteínas ligadas à alimentação saudável
Os preços dos ovos registraram forte alta em fevereiro, com avanço superior a 40% sobre janeiro em algumas regiões, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A média parcial considera dados coletados até 18 de fevereiro e marca a primeira recuperação após cinco meses consecutivos de queda.
De acordo com o Cepea, o equilíbrio entre oferta e demanda tem sustentado a valorização mesmo na segunda quinzena do mês, período em que tradicionalmente as vendas desaceleram. Ainda assim, as cotações permanecem abaixo das registradas no mesmo período do ano passado, acumulando retração real superior a 30% nas regiões acompanhadas.
Além de fatores sazonais, como o início da Quaresma — quando parte dos consumidores substitui carnes por ovos por tradição religiosa —, a demanda também tem sido influenciada pelo crescimento do consumo ligado à alimentação saudável e ao universo fitness. O ovo se consolidou nos últimos anos como uma das principais fontes de proteína de baixo custo para dietas esportivas, musculação e reeducação alimentar.
Estudos da Euromonitor International indicam aumento consistente da busca por alimentos ricos em proteína no Brasil, tendência associada ao maior interesse por saúde, bem-estar e estética. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também mostram avanço gradual da prática de atividade física, o que costuma impulsionar o consumo de proteínas acessíveis como ovos e frango.
Quando os preços sobem, o impacto vai além da cesta básica tradicional: consumidores que seguem dietas hiperproteicas frequentemente recorrem a substituições, como frango, atum ou suplementos, ou reduzem o consumo.
No mercado de frango, a semana de Carnaval mantém a demanda firme no atacado, com estabilidade nas cotações. Apesar disso, o valor médio mensal recua em fevereiro. Na Grande São Paulo, o preço médio do frango congelado no atacado está em torno de R$ 7 por quilo — menor nível real desde agosto de 2023, considerando valores ajustados pela inflação.
Analistas do Cepea avaliam que as quedas registradas no início do ano ainda pressionam as médias mensais do frango. A expectativa é de possível reação apenas em março, com o aquecimento típico da demanda no início do mês.
