Recuo de 6,3% marca maior baixa em 12 anos e reflete dólar forte, realização de lucros e menor demanda na Ásia
O preço do ouro viveu nesta semana uma das quedas mais acentuadas da última década. Após meses de valorização contínua, o metal precioso despencou 6,3% nesta terça-feira (21), chegando a US$ 4.082,03 por onça, segundo dados da Bloomberg. A prata acompanhou o movimento, com recuo de 8,7%, no maior tombo desde 2021.
O ajuste ocorre após um rali que levou o ouro a acumular alta de mais de 60% em 2025, impulsionado por apostas em cortes de juros nos Estados Unidos e pela busca por proteção diante de incertezas fiscais e geopolíticas. Analistas classificam o movimento atual como uma correção técnica: resultado de investidores realizando lucros e reavaliando suas posições diante de um dólar fortalecido e sinais de alívio nas tensões entre Estados Unidos e China.
Volatilidade e fatores externos
De acordo com analistas do Wall Street Journal e da The Economist, a queda reflete um fenômeno global: o enfraquecimento temporário da demanda física e o aumento das apostas especulativas no mercado de derivativos. A Índia, segundo maior consumidor mundial de ouro, reduziu as compras durante o festival de Diwali, o que afetou a liquidez internacional.
Além disso, o fortalecimento do dólar americano reduziu o apelo do ouro como reserva de valor, já que o metal tende a se desvalorizar quando a moeda dos EUA ganha força. O otimismo em torno de uma possível melhora nas relações comerciais entre Washington e Pequim também contribuiu para a migração de parte dos investidores a ativos de maior risco.
Alta especulação e ajustes técnicos
Na semana anterior à queda, o mercado já dava sinais de tensão: mais de 2 milhões de contratos de opções ligados ao maior fundo de índice de ouro do mundo foram negociados, um recorde histórico. O movimento indicava alta especulação e a tentativa de investidores de proteger suas carteiras diante de possíveis correções.
Sem os relatórios regulares da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), suspensos por conta da paralisação parcial do governo americano, operadores ficaram sem dados essenciais sobre o posicionamento de fundos e gestores, o que pode ter intensificado a volatilidade.
Tendência global e impacto no consumo
Apesar da queda, o ouro ainda acumula valorização superior a 50% no ano, e o movimento de reprecificação não parece afetar o consumo de joias, que continua aquecido em países como a Índia. A alta dos preços nos últimos meses inclusive levou a um aumento nos roubos de peças de ouro em algumas regiões, reflexo direto da valorização do metal.
Segundo análise da The Economist, o ouro vive um paradoxo: a mesma busca por segurança que elevou os preços agora sustenta a volatilidade, conforme investidores alternam entre ouro e dólar como refúgios de valor.
O que observar nos próximos dias
- Dólar americano: a força da moeda segue como principal fator de pressão sobre o ouro;
- Política monetária dos EUA: novos dados de inflação e juros podem redefinir expectativas sobre cortes pelo Federal Reserve;
- Demanda asiática: o retorno das compras na Índia e na China será decisivo para estabilizar os preços.
