Estudo da Ativa Investimentos mostra que efeitos do fenômeno climático que deve atingir a América Latina neste ano não serão sentidos tão depressa assim
O El Niño é uma famosa assombração na inflação brasileira a cada vez que dá as caras. O Agronegócio, especificamente no cultivo de oleaginosas e grãos, teme o fenômeno climático porque ele atrapalha a safra de verão. Mas o evento não é sinônimo de inflação imediata, mostra um estudo da corretora Ativa Investimentos.
O efeito mais conhecido do El Niño é a alta dos preços de alimentos, seja por meio do aumento do insumo usado como base para produção ou pelo aumento no custo de fornecer ração a animais, como no caso das carnes. Para estimar o impacto do El Niño no IPCA, a Ativa calculou o quanto os valores de itens da cesta de alimentação podem subir com os desvios de temperatura do oceano.
A casa de análises aponta que a inflação na média de 12 meses sobe 0,4% cerca de 6 meses após o sobreaquecimento provocado pelo El Niño. A Ativa considera que maiores são as chances de o fenômeno climático causar um pico de aumento de temperatura de 1,7ºC nas águas do Pacífico entre novembro e janeiro.
A partir da pesquisa, os itens de alimentação em domicílio começam a sofrer variação de preços quando a oscilação passa de 0,42ºC. Assim, tubérculos, legumes e raízes tem uma defasagem média de 3 meses, sendo o grupo de produtos mais sensível avaliado pela Ativa. Hortalíças e verduras vem em seguida, com tempo de resposta de 4 meses para um eventual aumento, enquanto a reação costuma demorar 5 meses nas oleaginosas e frutas.
“Com vistas às projeções para o sobreaquecimento em junho (+0,67 °C segundo o gráfico de média ponderada), deveremos observar efeitos altistas nos preços em meados de novembro”, comenta Étore Sanchez, CEO da Ativa. “Analogamente, os aquecimentos maiores projetados deverão ter impactos relevantes apenas a partir de 2027, não afetando as perspectivas para este ano”, continua.
O IPCA de 2027 acumulado deve ter um acréscimo de 0,70 ponto percentual provocado pelo El-Niño, conforme previsão da Ativa Investimentos. Mas o El-Niño pode ser mais severo do que o previsto e, por isso, os economistas do mercado financeiro devem continuar quebrando a cabeça sobre os efeitos do fenômeno climático daqui para frente. “Ainda que os impactos estimados não sejam desprezíveis, sua transmissão ao IPCA ocorre ao longo do tempo e depende da intensidade efetiva do fenômeno, o que mantém elevado o grau de incerteza nas projeções”, detalha Sanchez.
