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O que se sabe sobre a praga que ameaça a pecuária dos EUA

Da redação
3 de junho de 2026
Parasita identificado no México, perto da fronteira americana, eleva alerta para perdas bilionárias no Texas e pode pressionar ainda mais o preço da carne bovina

A identificação de novos casos da bicheira-do-novo-mundo no México acendeu o alerta na pecuária dos Estados Unidos. O parasita, também conhecido como mosca-da-bicheira, foi encontrado no estado mexicano de Coahuila, a menos de 40 quilômetros da fronteira americana, o ponto mais próximo dos EUA desde o início do atual surto.

A praga preocupa produtores e autoridades porque atinge animais de sangue quente, incluindo bovinos, ovinos e caprinos. As fêmeas depositam ovos em feridas abertas, e as larvas se alimentam de tecido vivo. Sem tratamento, a infestação pode levar os animais à morte.

O avanço do parasita ocorre em um momento delicado para a pecuária americana. O rebanho bovino dos Estados Unidos está no menor nível em mais de sete décadas, enquanto os preços da carne atingem patamares recordes. Segundo estimativa do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), um surto da praga poderia causar prejuízo de até US$ 1,8 bilhão somente à economia do Texas, maior estado produtor de gado do país.

A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, classificou a ameaça como “muito, muito séria” para o rebanho americano. Desde maio de 2025, os Estados Unidos mantêm a fronteira sul praticamente fechada à entrada de gado mexicano, em uma tentativa de reduzir o risco de disseminação.

A preocupação também chega ao bolso do consumidor. Com menor oferta de animais, seca prolongada, custos elevados e tarifas sobre importações, a carne bovina já acumula forte alta nos Estados Unidos. O preço da carne moída chegou a US$ 6,90 por libra-peso em abril, recorde da série histórica do Bureau of Labor Statistics.

A crise no setor vem se agravando há anos. Desde 2019, o número de cabeças de gado de corte caiu 13%, para 27,9 milhões. Em 2025, a produção americana de carne bovina recuou 4%, para 11,8 milhões de toneladas, fazendo os Estados Unidos perderem para o Brasil a liderança global na produção da proteína.

O surto teve origem na América Central e avançou em direção ao norte, afetando cadeias pecuárias no México e elevando o risco para os Estados Unidos. Para conter a praga, autoridades americanas e mexicanas tentam reforçar ações de monitoramento e controle sanitário.

Ainda assim, a recuperação do setor deve ser lenta. Mesmo que a ameaça seja contida, recompor o rebanho bovino exige tempo: entre o nascimento de um bezerro e o abate, o ciclo pode levar de dois a três anos.

Na prática, a bicheira-do-novo-mundo adiciona mais uma camada de pressão a um mercado já apertado. Se o parasita cruzar a fronteira e atingir rebanhos americanos, o impacto pode ir além das fazendas, com reflexo direto na oferta de carne, nos custos da indústria e nos preços pagos pelos consumidores.

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