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O diplomático Campos absorve os ataques do PT

Em uma cena do filme “Os Intocáveis”, o personagem James Malone (Sean Connery) puxa um trabuco e enfrenta um capanga de Al Capone: “Você trouxe uma faca para uma briga de revólver”. Essa imagem me veio à mente durante essa semana, com a pinimba entre o governo (presidente Luiz Inácio Lula da Silva e vários apoiadores) e Roberto Campos Neto, do Banco Central.

Para cada manifestação de Lula e apoiadores em favor da queda imediata de juros, Campos Neto deu respostas técnicas e apaziguadoras – tanto na entrevista no programa Roda Viva como no evento “CEO Conference”, realizado ontem pelo BTG Pactual. Ou seja, um lado veio com críticas pontiagudas e carregadas de emoção; o outro retrucou com argumentos racionais e incontestáveis, de calibre devastador.

Mas Campos não foi apenas técnico em suas intervenções: o tom sereno e diplomático do presidente do Banco Central diante dos convidados do BTG chamou a atenção. Ponderou que era “justo questionar os juros altos”, como fez o presidente Lula, e que o ministro Fernando Haddad mostrou “boa vontade” ao apresentar um plano de disciplina fiscal. Com isso, ele absorveu bem os golpes desferidos pela esquerda e pareceu no controle absoluto da situação – afinal, possui um mandato até o final de 2024.

Campos Neto também levantou duas bolas importantes para o debate nacional sobre a política monetária, que colocou seu nome na ponta da língua de qualquer cidadão. A primeira: “O Banco Central deveria explicar suas ações de forma mais didática”. A segunda: “Um dos fatores que pressionam os juros para cima é o baixo nível de poupança no Brasil”.

São pontos importantes para que a sociedade entenda melhor a estratégia do BC para combater a inflação. Talvez fosse interessante colocar mais um tópico nessa discussão, para despolitizar a ação do BC na gestão das taxas de juros brasileiras. Militantes petistas dizem que os juros estão desnecessariamente altos com o propósito de sabotar a economia durante a gestão do PT. Ocorre que, em 2022, o BC estabeleceu um aumento de juros anuais de 10,75 % para 13,75 % (em pleno ano eleitoral). Se ele colocasse mesmo as intenções políticas acima das decisões técnicas, Campos teria feito este movimento?

Um dos queixumes dos petistas é que Roberto Campos Neto foi votar em 2022 utilizando uma camiseta da Seleção Brasileira, um indicador de que ele sufragaria Jair Bolsonaro em demérito de Lula. Vamos dizer que o presidente do BC pudesse ter sido mais discreto em relação à vestimenta no dia 30 de outubro. Mas sejamos sinceros. Ele assumiu o BC por escolha de Paulo Guedes. Dessa forma, alguém teria alguma dúvida em quem ele votou para presidente em 2022?

Campos está botando panos quentes nessa discussão sobre o BC. Enquanto isso, o economista André Lara Resende continua tentando insuflar o debate, como vem fazendo nos últimos dias. Ontem, ele deu uma entrevista ao jornal Valor Econômico no qual criticou novamente a atuação do BC, dizendo ser “patético” que os juros sejam ditados pelos agentes do mercado e não pelo regulador de preços (o próprio Banco Central).

Como se sabe, quem forma os preços em um ambiente econômico são os compradores – e não os vendedores. No caso dos títulos públicos e da taxa básica de juros, são os tomadores de risco que definem a taxa através da qual querem alugar os seus recursos financeiros. Deixar o BC estabelecer sozinho as taxas é o mesmo que encarregar a antiga Sunab de tabelar os preços das mercadorias, sem levar em consideração a lei da oferta e da procura.

O avô do presidente do Banco Central, o economista Roberto Campos, tinha uma máxima sobre a agremiação política fundada por Lula: “O PT é um partido de trabalhadores que não trabalham, estudantes que não estudam e intelectuais que não pensam”. Talvez fosse a hora de agregar mais um trecho à frase de Campos: “e dos economistas que ignoram as leis básicas da economia”.

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