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O dilema dos empresários diante do lockdown

Sem rodeios: lockdown pela metade não funciona. Ou quarentena noturna. Ou de fim de semana. Em termos de pandemia, existe uma lógica direta entre tempo de duração e proibição de circulação das pessoas. Se o intento é reduzir a contaminação, o lockdown cumpre o seu papel, desde que seja por completo e por no mínimo duas semanas. Este é o prazo necessário para que o vírus deixe de circular agressivamente, reduzindo a velocidade de contaminação e, portanto, a lotação dos leitos de UTI.

Lockdown, porém, não traz a cura da Covid-19. O vírus não desaparece como que por magia. Pelo contrário: ele continua a infectar a população, só que em um ritmo mais lento. Com isso, a necessidade de internações e de respiradores é menor. Dessa forma, se preserva o sistema de saúde e deixamos de entrar no caos absoluto, algo que se viu na Itália no início desta crise sanitária mundial.

Além de não ser em si uma solução para a pandemia, o lockdown cria um efeito devastador na economia. A falta de circulação de pessoas não atinge somente o comércio e os restaurantes. Cria uma onda psicológica negativa que destrói ao cenário macroeconômico, devastando negócios e empresas.

É por isso que muitos empresários têm diante de si um dilema moral. O lockdown reduz o ritmo da pandemia. Mas o preço a pagar pelo shutdown corporativo – machucar as empresas – pode ser alto demais. Como apoiar a quarentena total sem esperar prejuízos? Não há como obter uma coisa sem a outra.

A ciência aconselha o lockdown. Tanto que os secretários estaduais de Saúde estão unidos em torno dessa causa. Mas um toque de recolher nacional iria causar um revés econômico fortíssimo.

De qual lado está a razão? De quem está a favor do lockdown ou do funcionamento da economia?

Confesso que estou dividido entre a razão e a emoção. Diante de um contratempo sanitário sem precedentes, meu cérebro pede um lockdown de duas semanas no mínimo. Mas o meu coração de empreendedor, receoso do que pode acontecer na economia, teme o fechamento radical de atividades. Dessa forma, fico – como muitos amigos – atônito e em cima do muro, esperando que alguém decida o que acontecerá por mim.

Esse é o pior dos mundos. Você sabe da sua incapacidade de decidir sobre um assunto controverso. Mas percebe que a mesma hesitação está presente nos olhos das autoridades que vão tomar a decisão final.

Respiremos fundo e esperemos o desfecho dessa confusão, sem grande número de vítimas pela Covid ou pela retração econômica.

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